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Paz de Chrystian

Abraço em Deus

04/02/2010 às 10h35


De férias do mundo, não deixei de sofrer.
Aliás, nas férias a gente sofre mais. Porque o ócio nos permite esse caminho. E quando a alegria se transforma em demasia, a gente se pergunta: e o outro? Por que, por exemplo, o outro não come tão bem quanto a gente, não festeja, como a gente, a boa vida?
Carmas?
Deus?
An?
E nós soubemos, já à noite, do caos que se instalou no Haiti... dormir pra quê naquele doze de janeiro?
Como?
As notícias eram truncadas – mas o suficientes para arrastarmos nosso coração numa dor sem volta. Ah, como rezamos, àquela noite!
Um país já tão castigado por tiranos latino americanos... tantos irresponsáveis no poder, por tantos anos... e o país chamado de “Pérola do Pacífico” se transformou num inferno. 
Em 1957 François Duvalier, o Papa-Doc, assumiu a presidência e implantou um regime de terror que durou até sua morte, em 1971. 
O terrorismo político continuou sob o comando de Jean Claude Duvalier, o Baby-Doc, filho de François Duvalier.
Já na década de 1980, com a crise econômica e o empobrecimento da população, o regime de terror perdeu força, até que, em 1985, Baby-Doc fugiu para um exílio na França. 
O país, então, estava morto, assassinado pela tirania irresponsável que corre as pobres Américas.
Entre 1985 e 1990, o Haiti procurou estabilizar sua situação política, mas uma sucessão de golpes militares impediu qualquer organização.
Pobre Haiti.
Pela manhã do dia 13, dona Zilda Arns virou outra dor em nossas vidas... ah, Deus, por que levá-la?
Mais de 200 mil mortos, diziam, já, àquela manhã, jornalistas da CNN... Estavam certos, os céticos. 
Eu, sem abrir sequer o computador desde o dia 27 de dezembro, dia 31 de janeiro abri, rapidinho. 
E encontrei um e-mail lindo enviado pela flor de gente Marília Bulhões, de Brasília.
Após a dor de oito dias preso sob o peso de mil escombros, sem luz, sem água, sem nada o que levar à boca, apenas Deus, eis que a vida grita. E essa cena, pelo resto de nossas vidas, vai gritar n’alma nossa.
Oito dias sem ver a sua mãe e sua família.
Olhos fundos pela desidratação, um sem fim de sofridão.
Não há lágrimas porque as crianças sempre guardam a esperança na vida, no colo, no abraço.
Não há dor porque a vida é ainda uma brincadeira para eles, diz o e-mail.
Por isso, quando se faz a luz, quando acaba o pesadelo.... sempre há um impressionante e caloroso sorriso.
De braços abertos para a vida e no aguardo do acalento da mãe, Kiki voltou para seguir a vida.
Uma pobre criança do Haiti, que, como todas as outras... come bolachas de barro. E sofre, e morre, e não.
É com o abraço dessa criança que eu abraço vocês... e canto que PAZ DE CHRYSTIAN voltou das férias.
Pelo menos PAZ...
Para você, para o mundo...
Nós descobrimos que Kiki, hoje, passa bem, Deixou o hospital de campanha ontem, três quilos mais gordinho...
Uma OnG norte-americana, a LIVE, sensibilizada, deu abrigo a ele, seus seis irmãos... e a pobre mãe, abandonada a sorte pelo marido dois anos atrás...
Hoje Kiki passa bem. Tem casa, comida, o aconchego e, num abraço lindo, os olhos de Deus.

Suiça, a primeira parada

01/03/2010 às 07h07

Tudo congelado, até a água da Fonte da Vida, no Centro de Zurich

Torre da Grossmunster: 870 depois de Cristo

Escola de Zurich: Churchill e a unificação da Europa

Winston Churchill, em 1948: premonição

Jardins alugados durante a primavera: curiosidade

Paisagens em branco e preto

O Parque do Lago Zurich: neve a perder de vista

Neve, neve, neve...

Nunca fui lá tão fã da Suíça
Um país meio gélido, sei lá.
E não me refiro aos dez graus negativos que ali pegamos, nem as fontes da cidade jorrando gelo... Mas sempre achei a Suíça um país de alma pálida.
Mas... andei mudando de perspectivas e visões após uns dias em Zürich.
Linda, tem como maior bandeira a liberdade.
E gentes livres, outros horizontes.
Soube, por exemplo, que na Suíça um questionário é enviado, a cada dois meses pelo governo, acerca dos anseios do seu povo, para a população.
Aí se responde que sim, que não.
Aí os governantes criam leis, alteram outras, por aí vai.
Uma democracia direta, clara, nada escusa.
E passear por Zurich vale a pena. O povo é amabilíssimo. E extremamente educado.
A mulher ao lado da calçada, o homem ao lado da rua – como canta a boa educação desde que me entendo por gente.
A mulher sempre na frente, essas coisas lindas de se ver, de se viver – e que fazem toda a diferença.
Cotovelos sobre mesas? Jamais!
Ah, e como é bom gente educada.
Não se vê lixo no chão, restos de cigarro, coisa e tal. Aff! Como fumam! A tal lei anti-fumo, cantada aqui no Brasil, lá ainda não. Os restaurantes, por exemplo... todo mundo fumando junto...
Em Zürich visitamos a "Grossmünster" (igreja grande), que no comecinho abrigou um convento, construído por volta de 870 DC.
A catedral foi construída (entre 1100 e 1220), as margens do Rio Limmat.
Durante a Reforma Protestante, o reformador Huldrych Zwingli conseguiu retirar da igreja, em 1524, seus altares e outras imagens religiosas – a ideia, à época, era aproximar a vida dos fiéis da vida de Cristo. Portanto, todas as ostentações foram retiradas das igrejas.
Mas foi lá por 1969-1970 que a Grande Igreja ganhou vitrais deslumbrantes de Marc Chagall, um russo de alma linda – francês por opção -, arte viva e vida pulsante, que marcou época na história das artes pelo mundo.
Ver seus vitrais foi uma emoção, foi mágico, emocionante.
Ali ao lado, outro marco. Uma pedra representa um discurso que Winston Churchill proferiu, em 1948, pela unificação da Europa.
Numa época em que nunca se imaginava a tal – e benéfica – União Européia.
Passear pelas ruelas ao seu entorno, seus antigos cabarés e um cafezinho à margem do Rio Limmat é uma delícia.
Outro passeio imperdível é pela estação de trem.
Um prédio fantástico de 1871, assombrosamente gigantesco, com gradios assinados por mestres como Vitranz Gurchè é a maior de toda a Suíça.
Flores, gente correndo, muitos fumando – e restaurantes di-vi-nos ao redor fazem dessa parada um passeio imperdível.
Também pelas ruas, sem prumo, sem rumo na vida, entrando e saindo de paisagens ora antiqüíssimas, ora modernas por demais.
Mas existe um tal de "Altstadt"- Cidade Velha, onde as ruas íngremes de paralelepípedos, as casa antigas e os pubs conferem um ar meio blasé à cidade.
Como a famosa rua Niederdorfstrasse, que parece estar sempre em festa, com seus vários restaurantes, tailandeses, portugueses, franceses, italianos.
Uma curiosidade. Como a cidade tem construções com pouco espaço - pelo menos em se tratando de uma classe não tão abastada assim, muita gente aluga... jardins. Era inverno, na nossa estadia e os jardins estavam cobertos de neve.
Bem... Foi bom mudar de opinião. Linda, essa Zürich. 
Fotos de Chrystian de Saboya

O carnaval, uma cidade fervente, uma Catedral belíssima, Beethoven para finalizar...

01/03/2010 às 07h06

Freiburg: assim chegamos a Alemanha

O Martinstor: Século XIII

Freiburg: cidade linda, secular

A igreja de Freiburg: obra de 1200 a 1350, estilo gótico, 115m de altura

E a Floresta Negra ao fundo: neve por todo lugar

As Lendas de Alice, em plena Freiburg...

Em Freiburg: no carnaval vale mesmo é fantasiar-se

Carnaval de Colonia: maravilha de gente, jovialidade e... aff, como gritam!

A Catedral de Colônia: 600 anos para ficar pronta

Caterdal de Colônia: renda

Um dos altares: Paixão de Cristo

Os vitrais... boa parte a Segunda Guerra Destruiu

Restos MOrtais dos TRês Reis Magos: emoção à flor da pele

Beethoven: por todo lugar, claro!

Münster Cathedral: monumento datado de 1150

O centro de Bonn: tudo lindo, limpo e, surpresa... um amarelão

A última imagem de Bonn: nevasca

O GPS gritando, a neve caindo... e a gente segue a vida

 

Beethoven (e não Bethowen)
Van Gogh (e não Van Gohg)

Foi em Colônia, na Alemanha, que passamos um carnaval maravilhoso.
A cidade é a quarta maior da Alemanha, e a maior do estado de Renânia do Norte-Vestfália – uma das mais felizes também.
Deixávamos para trás, naquele sábado de carnaval, Freiburg, uma cidadezinha cravada ao Sul da Alemanha, onde Keity visitou o Instituto Max Planck de Direito Criminal – o centro de ciências criminais mais importante da Europa.
Aliás, que cidade linda! São, certamente, os mais simpáticos dos alemães. Nada de sisudez, caras trombudas, abusos só os meus.
Um frio maravilhoso, dez graus abaixo de zero, eu acho. Muita neve... e um carnaval animadíssimo. 
O folclore popular nos ensina que Freiburg é a cidade mais quente e ensolarada da Alemanha. É verdade, apesar do frio latente que enmcontramos ali.
Aos pés do rio Dreisam, a cidade é cercada por montanhas. Ali foi travada, em 1644, uma das batalhas mais cruentas da Guerra dos Trinta Anos, vencida pelos marechais franceses Condé e Turenne. 
E o Carnaval dali? Uma animação sem fim. Muitos jovens no meio das ruas. Na sexta-feira de carnaval jantamos num restaurante maravilhoso, bem alemão e... garçons, fregueses, todos dançando horrores.
Bem, falando em carnaval... pegamos o carro e fomos para Köln – assim se escreve Colônia em Alemão...
O carnaval?
Bem, as pessoas se fantasiam e vão para o meio das ruas. E se encontram, se abraçam. É uma maravilha e basta ter dez toes de bom humor para amar.
Na Estação de Trem Central, cercada de teatros, bons hotéis e restaurantes bem ótimos, mil trens por dia chegando e se indo...
A sua volta, uma festa sem fim. Cultura pulsante, desfile de carros alegóricos, uma parada que dura 7 horas maravilhosas...
Mas o mais belo estava por vir.
A Catedral, em alemão Dom, levou 600 anos para ficar pronta. Só a sua história já emociona, dói n’alma.
A construção da igreja gótica começou no século XIII (1248). Tem duas torres imponentes, com mais de 157 metros de altura.
Quando foi concluída em 1880, era o prédio mais alto do mundo. 
A catedral é dedicada a São Pedro e a Maria.
Foi construída no local de um templo romano do século IV – onde é possível, acreditem, ver os restos em pedras monumentais.
Na Segunda Guerra Mundial, a catedral acabou recebendo muitos ataques das Forças Aliadas... mas não caiu; a reconstrução foi completada em 1956.
Alguns vitrais foram destruídos, e estão lá, a mostra, outros, de renomados artistas plásticos do Pós-Modernismo.
No interior da catedral está guardado o relicário de ouro com os restos mortais dos Três Reis Magos Baltazar, Melchior e Gaspar – outra grande emoção, um abraço na minha cidade Natal, saudades do mar, do sol que, àquele dia, fazia mais de dez dias sem aparecer, tamanho o torrão de nuvens nos céus.
Colônia tem 31 museus, entre eles a destacar o Museum Ludwig (Arte moderna e contemporánea), o Wallraf-Richartz-Museum (Arte do medieval até o século XIX) e o Römisch-Germanisches Museum (Artesanato da época romana), com varias construções subterrâneas da época do império romano. Todos são muito bons, super ilustrativos e cheios de curiosidades. Existe ainda o Museu da Cidade, onde conhecemos a história dali... lindo, emocionante!
Na Alemanha ainda fomos para Bonn.
Que foi, num passado não tao distante assim, a capital da República Federal Alemã entre 1949 e 1989.
Atualmente em Bonn permanecem algumas embaixadas e algumas estatais alemãs como a Deutsche Welle, a Deutsche Telekom... aff!, os nomes são sempre complicadíssimos ali. 
Beethoven nasceu em Bonn, em 1770. E a música está ali, presente em tudo. Por exemplo nas paradas de ônibus, onde a música de Bethowen é obrigatória – não é o máximo?
Ou no Bistro... (que diferente do que acreditávamos... é uma palavra alemã, e não francesa. À época da Segunda Guerra, quando a Alemanha invadiu Paris, os soldados alemães se referiam a ‘bistrot’ como todo aquele lugar com refeições rápidas).
O Bistrt Cafe da Deutsche Post, onde almoçamos certo dia olhando para a atriz Elizabeth Hunt. Amei aquele climão, a comida divina, essa aura européia.
Nos despedimos da Alemanha... 
Eu, naturalmente, me achando.
Fotos de Chrystian de Saboya

O amor, a dor do nazismo e uma cidade encantadora

01/03/2010 às 07h04

Love. Simples assim.

Uma cidade de que salta aos olhos

Azuleijos do Século XV: visão que encanta nos velhos prédios da cidade

O Canal Veiringer: vista todos os dias, ao amanhecer

Arquitetura do século XVI, XVII... por todo lugar

A Casa de Anne Frank: silêncio, nó na gargata, nunca mais

Anna Frank, em postais vendidos pela fundação que leva seu nome: perpétua

Plaquinha da Casa Anne Frank: para ela, todas as nossas homenagens

Holanda foi o país onde mais passamos tempo, dessa vez.
Andamos suas quatro maiores cidades (Amsterdam, Denhaag, Ultrech e Rotterdam), percorremos caminhos inversos, fomos felizes... e Amsterdam gamou geral.
Que lugar lindo!
Fundada em 1275, a cidade é de um charme sem igual.
Cercada por canais, com mais de 1.500 pontes, pontezinhas e passadeiras, a cidade tem canais por todo lugar...
Mas antes disso, uma dor infinda.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha invadiu os Países Baixos no dia 10 de maio de 1940 – e esse trauma está por todo lugar.
Os nazistas tomaram o controle do país depois de cinco dias de luta sangrenta, mar de sangue, outras mortes.
Os alemães instalaram um governo civil nazista em Amsterdam, que se encarregava da perseguição aos judeus.
Os neerlandeses que ajudaram e protegeram as vítimas foram também perseguidos. Mais de 100.000 judeus foram deportados a campos de concentração e a cidade esvasiou-se numa imensa dor.
E é sobre essa dor que falamos agora...
Entre os judeus, Anne Frank.
A menina que refugiou-se com a família, pai, mãe e irmã e outro casal com um filho pequeno num sótão de Amsterdam e transformou sua história num livro tristíssimo, tem, hoje, um museu só seu, à Rua Prinsengracht, à margem do Canal Frank, como chamam os moradores dali.
A velha casa onde morou – e onde “mergulhou”, nomeclatura usada para os refugiados de Hitler, transformou-se num museu.
E, para mim, sempre tao à flor da pele, foi um dos lugares mais tristes – e emocionantes – que vi na vida.
A Casa de Anne Frank é sombria, conta histórias muito tristes dos dois anos em que viveu “mergulhada” e relata o terror do nazismo, suas atrocidades, injustiças absurdas.
À nossa frente, na fila de entrada para o museu, uma família de judeus. Pai, mãe e quatro filhas pequenas estavam tão angustiados que fiquei eu imaginando como seria a reação deles, ao entrar na casa que, a pedido de Otto Frank, pai de Anne, não tem um único móvel, apenas instalações, videos, dores, nós n’alma. 
"Minha vida está vazia. Quero que essa casa asim permaneça", declarou Otto Franf, certa feita.
O casal e as filhas, vi mais adiante, haviam desistido de proseguir na visitação. A mãe saiu chorando.
E, ali, eu acabei de me acabar. Pouca gente percebeu – mas a cena chocou.
Somente 5.000 judeus sobreviveram a guerra em Amsterdam.
Um dos sobreviventes dessa hiostória foi Otto Frank, pai de Anne, que morreu à mingua, de tifo, em março de 1945, no campo de concentração de Bergen-Belsen.
Otto Frank sobreviveu ao campo de extermínio de Auschwitz e faleceu em 1990, após criar a Fundação Anne Frank.
Que dor...

Finesse, arte, sexo e drogas em Amsterdam

01/03/2010 às 07h03

A noite cai em Amsterdam: convite ao belo

Uma cidade inteira construída sobre canais, 1500 pontes... e a visão do paraíso

O estacionamento de bicicletas erguida sobre o Rio Amstel

O Singel 404, melhor café de Amsterdam

A imponente Igreja dos Santos: renda, fé e arte viva

Van Gogh, Flor da Amendoeira: presente para o sobrinho, que havia nascido: meu preferido

O Museu da Tecnologia: Navio sobre o grande mar

O Restaurante Abelhamel: Guia Michelin

O Distrito da Luz Vermelha: impossível não se emocionar

Mas Amsterdam tem lugares que tocam nossa vã alma de outras maneiras. Como o Museu Van Gogh, por exemplo. Diante das suas telas, da sua história, impossível não se emocionar também – mas de outra forma, a melhor da vida.
São tres andares de arte, onde é possível passar um dia inteiro deleitando-se... Ao seu redor existe um belíssimo jardim, com pistas de patinação no gelo, o Museu Nacional - que mesmo em obras encanta pela sua magnitude e por seu acervo deslumbrante... 
Restaurantes maravilhosos, encontramos em Amsterdam – como o Abelhamel, na Binnen Wieringer. Apontado no Guia Michelin como um dos melhores da Holanda, o restaurante tem um menu di-vi-no.
E são tantos, muitos outros.
Existe um, o DAL, também indicado pelo Michelin, que a comida é servida em louças do Século XV – lindo, charmoso e elegantérrimo.
Ou o mais descolado Sluizer, no número 41 da Utrechsestrat.
Os famosos coffees shops, onde maconha é servida pelos garçons, não assombra. É tudo muito discreto, a droga liberada e você, talvez por isso, não veja tanta gente assim, “dando um tapa”.
Não entrei em nenhum deles – careta assumido; nem nunca a fim de tal, tais drogas, outras tantas.
Mas nada que assombre – tudo muito normal.
E lindo!
Fantasias sexuais de lado, dor maior foi o que encontrei no famoso Distrito da Luz Vermelha.
Amsterdam tem orgulho de si própria - e com toda a razão do mundo!
Tem uma atitude totalmente liberal e – palavra mágica nos dias de hoje, to-le-ran-te, aceitando o fato de que as pessoas possam estar no negócio da prostituição, das drogas e da tal pornografia. E daí?
Então, em vez de ter uma atitude onde a punir é a palavra chave, Amsterdam tolera, aceita, não reprime.
Aprecie a honestidade de tudo, pois não irá encontrar em mais lugar nenhum no mundo, tais caminhos.
Existem três Red Light Districts de Amesterdam – mas o “melhor” deles fica na área de Walletjes (entre a Estação Central e Nieuwenmarkt).
Lá, mulheres ficam em vitrines durante todo o dia (não trabalham apenas de três da madrugada às seis da manhã). E se vendem para quem quiser – e pagar programas muitas vezes rapidinho, que oscilam entre dez e cem euros – coisa de trinta, trezentos reais. Naturalmente existem outros valores, Lá é possível pagar 100 euros por uma noitada.
As moças são, geralmente, lindas. Loiras, na imensa maioria das vezes. Aqui e acolá uma morena, uma gordinha. Todas expostas à venda – é incrível de ver. E deprimente, por outros ângulos da vida.
Muitas casas de sexo explícito. Muitas. E muitos sex-shops, muitos! Um sem fim de teatros eróticos, cabarés – e um policiamento ostensivo, soberbo.
O local é diferente de tudo o que já vi, surreal, até.
Mas vale ver – sempre com a tal bandeira da tolerância em punho.
Uma das provas disso é que existem, em Amsterdã, mais de 150 nacionalidades vivas, viventes, espalhando culturas por entre uma cidade pra lá de plural. 
Fotos de Chrystian de Saboya
* Fotos 1 e 2: reprodução
* Foto 3 de Karina Vasconcelos

Apoteose

01/03/2010 às 07h02

Ponte Erasmus: segura de um único lado

As Cubics Houses: inacreditáveis

Euromast: visão deslumbrante

Prédio comercial: descolando-se

O Tulip In: vão de 20 metros

O antigo e o moderno se beijam

O museu Boijmans van Beuningen: antiga fábrica

Fim de tarde no museu Boijmans van Beuningen: como se estivéssemos diante de uma tela

O nazismo nos perseguiu, também, nesses dias de pernas para o ar na Holanda, onde visitamos suas maiores quatro cidades.
De Ultretch a Amsterdam, passando por Bonn e Den Haag...
Totalmente destruída na Segunda Guerra Mundial, Rotterdam deu a volta por cima.
E sua história, do caos à glória, é sua maior beleza, sua bandeira.
A cidade é a mais cosmopolita de todas – edifícios altíssimos, curvas e formas inacreditáveis, imensos vãos, museus maravilhosos e lindas histórias para se viver no contraste com o moderníssimo da vida concreta.
Rotterdam é mundialmente conhecida pela sua arquitetura arrojada, desbravadora, a frente do seu tempo.
Não é nada difícil encontrar estudantes e arquitetos inquietos, perambulando por seus muros, vidas, colunas imensas e... ex-tre-ma criatividade.
Ali, o novo e o antigo se encontram, sem pudor, em perfeita harmonia.
Em Delfshaven, a guerra perdeu-se no oco da luta. E nada foi tão destruído assim – diferente do resto da cidade, que afundou em bombas e sangue.
Lá, encontramos a arquitetura típica holandesa, da época medieval.
A origem desse lugar é histórica... data do Século X. E estar num lugar assim, tantos séculos atrás, já é o máximo!
A arquitetura de Delfshavena é a mesma do século XVII, pequeninos resquícios do Século X, com ruas em ladrilhos, uma antiga fábrica, igreja com relógio de sol e um moinho – é tudo tão lindo, tão especial, com um ar de melancolia...
Rotterdam recebeu diversas influências de diferentes movimentos do começo do século.
O movimento De Stijl (O estilo) valorizava as cores, linhas e simplicidade, com destaque para o pintor Mondrian, louco e apaixonante.
Em Rotterdam, o movimento trouxe alegria e cores para prédios e esculturas que podem ser vistas até hoje.
Outro estilo que marcou a cidade foi De Nieuwe Zakelijkheid, característico dos Anos 1930, como a Erasmus House, projetada pelo famoso arquiteto Willen Dudok. 
O movimento modernista Nieuwe Bouwen, também dos Anos 1930, deu à incipiente Rotterdam do início do século a inspiração moderna que é sua marca.
A cidade não somente respira o novo, o moderno – mas o vive!
Quem visita Rotterdam, se encanta com ponte Erasmus, por exemplo, e pelas linhas inovadoras dos prédios no seu entorno.
A ponte Erasmus, de Ben van Berkel, é o ícone da cidade - deslumbrante, inacreditável, erguida em 1996, toda suportada num único lado.
Aliás, o maior pensador da Holanda, Erasmus tem seu nome estampado em todo lugar.
Humanista do Século XV, foi uma das figuras marcantes do Renascimento. 
Conservou, não obstante, a característica medieval de escrever em Latim – que abuso! - e não em sua própria língua, o que o fez brilhar ao lado de grandes como Dante e Petrarca, Chaucer, Camões, Lutero – de quem rompeu definitivamente por não concordar com suas ideias.
Erasmo criticava igualmente a pretensão dos protestantes e a arrogância dos católicos. Acreditava no espiritualismo cristão, no espírito tolerante e no amor ao conhecimento.
Não deixe de visitar o teatro Luxor, um referencial.
Outro lugar que encanta são as Cubic Houses, erguidas em 1984. Assinadas por Piet Biom, trazem 39 residências em forma de cubos ainda hoje habitadas – apenas uma é aberta para visitas. As Casas Cubistas de Rotterdam foram inspiradas na fase cubista de... Picasso. O máximo!
A biblioteca de Rotterdam, que também chama a atenção pelas suas formas: oito andares decrescentes em formato de pirâmide e com tubulações amarelas em volta do prédio é outro lugar que “choca” pelo abuso dos traços.
Para ressaltar a importância que Rotterdam presta a sua arquitetura, o Instituto de Arquitetura de Rotterdam oferece excelentes exposições para interessados no assunto.
E como nascemos virados para os céus... chegamos em Rotterdam no dia do Vernissage. 
E fomos. O local tem uma livraria de arquitetura que é o sonho de consumo de qualquer mortal.
E a exposição... mostrava as possibilidades de reformas e ou construções de prédios da cidade. Com direito a votos e maquetes deslumbrantes.
A lista de restaurantes é maravilhosa. Para todo gosto, de todo lugar.
Tudo muito lindo, muito chique – e, claro, moderníssimo.
Mas se fosse dar uma dica para você... não deixe de visitar o Museu Boijmans van Belningen. O local tem obras de Matisse, meu preferido... de Picasso... de Rik Wouters, uma pintora do início do Século passado que não conhecia e... gamei.
Depois de três andares de arte, um pouco mais do que meio dia dá para ver tudo... tomar um cafezinho em frente ao jardim (belíssimo) do museu... fontes, instalações... é um programa do outro mundo.

Paris de Chrystian

01/03/2010 às 07h00



Uma Paris diferente... outros ângulos, outros ritmos.
Chrystian de Saboya resume em fotos as belezas da Cidade Luz. São seis lugares, vistos com... outros olhares, os olhares e a sensibilidade de Chrystian.
Em GAMEI. Corre pra ver!
Fotos de Chrystian de Saboya

RUY PEREIRA DOS SANTOS, por Marília Bulhões

25/02/2010 às 09h28

DeSaboya.com publica, aqui, um belíssimo texto assinado pela artista plástica e iluminado ser... Marília Bulhões.
Sobre respeito, admiração, um anjo que se foi a caminho dos céus.
Tão belo quanto sua dona, o texto que homenageia Dr. Ruy merece ser lido, cantado, espalhado como flores aos vento norte.

"Conheci Dr. Ruy no ano passado, depois que retomei as minhas atividades profissionais no Gabinete Civil – no Escritório de Representação do nosso Governo, em Brasília-DF, após quase seis anos no exterior.
Ele era presença marcante aqui no nosso Escritório, onde testemunhamos a sua luta incansável em busca de benefícios para a Secretaria de Educação, para o Rio Grande do Norte.
Um obstinado pelo trabalho e pessoa sempre muito atenta, quando soube que o meu esposo era funcionário de carreira do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), veio conversar comigo e me pediu pra ajudá-lo. Ele precisava de uma assinatura fundamental para a liberação de verbas significativas para a Educação, em processo que se encontrava sob análise na Agência Brasileira de Cooperação – ABC, naquele Ministério. Explicou-me da importância do projeto, detalhou todo o conteúdo com tamanha convicção e seriedade que, de imediato, me convenceu.
O Ministro-chefe da ABC, que definiria o rumo daquele assunto, é colega do meu esposo, um diplomata como ele, pessoa próxima. Assim, naquele mesmo dia consegui uma audiência e o meu esposo, gentilmente, deixou os seus assuntos para me acompanhar.
Contagiada pelo entusiasmo e munida das explicações prévias de Dr. Ruy sobre o projeto, usei de todos os argumentos em prol da aprovação do mesmo. Por fim, o Ministro assinou a autorização. De lá mesmo, liguei para Dr. Ruy contando o resultado. Não preciso nem dizer do seu contentamento.
Soube depois, pelo próprio Secretário Vagner Araújo, que ele foi ao Gabinete Civil contar o feito, no intuito de registrar, com a retidão que lhe era peculiar, o meu esforço. Gesto que poucos têm.
Foi assim que Dr. Ruy e eu nos aproximamos. Depois desse projeto, vieram outros assuntos e tudo com ele fluía muito facilmente, pois era muito preparado, organizado e bem assessorado por sua equipe.
Passamos, também, a conversar mais, em suas passagens pela Capital, sobre assuntos diplomáticos e protocolares, pois ele gostava de saber das minhas experiências no exterior, como funcionam as nossas Embaixadas, Consulados...
Estive com Dr. Ruy em Natal em janeiro passado. Ele estava muito abalado com a morte do seu pai. Mesmo em meio à sua dor e tristeza, recebeu-me em seu Gabinete com muita distinção, para tratarmos de assuntos meus naquela Secretaria. Conversamos informalmente e ele, muito emocionado, me contou, também, sobre a sua mãe, a sua família, da sua vida cheia de lutas e, por fim, de como fora avisado da morte do pai. O ocorrido estava bem recente.
Antes de sair da sua sala, ele me abraçou e disse para assessores próximos: "Marília é nossa Embaixatriz!" E acrescentou: “Aproveite bem as suas férias, porque depois do carnaval teremos muito trabalho nos corredores palacianos”. Este foi o nosso último encontro.
Passado o carnaval, estou eu pensando o quanto tudo é efêmero. A sua morte me deixou muito triste".


Marília Bulhões
Brasília (DF), 24 de fevereiro de 2010

O bem, sobre todas as coisas

10/02/2010 às 08h11

Uma entrevista, de Ana Sharp e Oscar Quiroga, dois dos mais respeitados místicos dos Brasis, me fez pensar um bocado sobre um assunto recorrente na minha vida – e que outras vezes conversamos aqui.
Eles diziam, em alto e bom tom, que o bem atrai o bem.
É inevitável.
E disseram mais. Que essas catástrofes mundo a fora, tem como “grande culpado” o homem, o cinema, até... os maus pensamentos.
Por exemplo: essa mania de os filmes nos Estados Unidos “destruírem” o mundo.
Fica, em volta disso tudo, uma celeuma. Uma celeuma de pavor, de dor, de destruição. E isso cresce, na medida em que os filmes dessa “natureza” se espalham, sem pudor, pelo planeta.
Aí, dentro da gente, nasce uma sensação ruim, estranha, rude, de fim, sei lá.
E a energia se materializa, inspira, mata.
No final do ano passado, quis muito assistir a 2012.
O filme, que narra o fim da humanidade a partir de uma previsão dos Maias, povo extremamente inteligente, cravado nos primórdios da humanidade, é uma facada n’alma.
Mas não fui. Nem irei. Nunca.
Gostaria de assistir ao filme pelos efeitos especiais, somente. E para ver essa união dos Maias, nascidos entre Guatemala e México, lá pelo Século IV antes de Cristo, por entre as florestas tropicais e donos de uma assombrosa inteligência.
Mas não fui. E todos os assuntos que rondavam o filme, fazia questão de me ausentar.
Acho que também cansei dessa incontrolável mania dos EUA em destruir a vida, bombas, guerras, arranha-céus no chão.
Fato é que não fui.
E com isso recorro a um dos pilares da minha vida: só olhe para o bem, o bom, o belo da vida.
Dessa lista, naturalmente, exclui-se a solidariedade, a compaixão, o abraçar o mundo carente, a vida que grita por socorro. Para esses caminhos, olhemos sempre!
Mas acredite nisso como um dogma: o ruim, atrai o ruim.
É por isso, por exemplo, que quem se droga anda com quem... se droga.
Que quem fofoca, sempre tem fofoqueiros a seu redor.
Que quem mente, sempre tem a mentira como companhia.
E quem é do bem, sempre atrai boas novas.
Que quem é feliz, só atrai felicidade...
Enfim, diga com quem andas...
Por isso a gente tem que banir essas gentes, fraquinhas, da nossa vida. Gente assim não serve para absolutamente nada. Uma prece ao longe, adeus.
Pensar negativamente atrai, acreditem, o negativo.
Por isso... só olhem para o que faz bem ao espírito, principalmente. Ele sim, sofre com nossas escolhas – boas ou não.
E só leiam aquilo que faz bem a mente... que faz você crescer.
Jogue no lixo, nas profundezas do mar, os sentimentos meio assim. Caminhos como a tal inveja, jamais sinta... ah, como faz mal.
E seja grato com quem lhe estendeu mãos um dia, seja fiel aos seus amigos. Não fique por trás denegrindo pessoas, não minta, olhe nos olhos da vida... quem conversa conosco sem olhar nos olhos, não serve para ser amigo. Nem vento por sobre nossas vidas.
Os Maias, claro, tinham razão.
Viva o bem, sempre!

Um passeio inesquecível...

06/02/2010 às 16h31

A Igreja onde Edna quer se casar: passa lá preu mostra pro sinhô!

Lindas residências se vê aqui e acolá

Casas dos Anos 1960: ainda em pé

Casarões de Santo Antônio: relíquia

Serrinha se mostra, linda, pra gente ver

Crésio, as flores que levamos para Crésio dar a Edna e Edna: histórias da vida

Por fim o velho cajueiro: Deus está em todo lugar. Mais lá.

Conheci Edna faz uns poucos anos.
Anjo da guarda da casa da amiga Vânia Leite, essa moça brejeira de pele morena, cabelos de caracóis e sorriso lindo me cativou com sua felicidade.
Aparentemente nenhum motivo para tal.
Perdeu a mãe muito menina, foi criada pela madrasta com mais seis irmãos, viu a vida passar entre roçados, trabalho árduo, sol a pino.
Aí, sei lá como, chegou à casa de Vânia. Os bons, acreditem, atraem boas pessoas.
E de lá veio para os nossos braços.
Edna passou o verão conosco. Tomava conta da nossa casa, ninava Valentina quando Gerlane, babá querida, se ocupava com outras cenas.
Arruma uma casa como ninguém – e tem a melhor de todas as risadas da vida!
Edna foi nos conquistando dia a dia. E rapidinho.
Tem histórias ótimas do seu interior, um lugar chamado Góis, cravado por entre pedras e matos de Serrinha, pobre cidade potiguar, vizinha de Santo Antônio do Salto da Onça, para onde fomos hoje, passar o dia e deixar Edna, que entrou de férias.
Eu, Vânia, Valentina com a babá Gerlane, nosso Hugo e... Edna.
Fomos almoçar lá.
Foi uma semana de expectativa.
Edna mandando os meninos, quatro irmãos menores tomarem banho, o pai caçar frutas, a madrasta, que é uma simpatia e a quem Edna rende todas as homenagens, fazer um almoço para nos receber.
Quase noiva, Edna falava muito em Crésio, seu namorado há cinco anos.
- Se ele não me pedir em casamento, acabo tudo!
Dizia, sem cerimônias, no verão.
- Quero casar, seu Chrystian! Quero casar!
De cara disse que faria a festa! E farei! Ela se empolgava com meus devaneios sobre o sim da sua vida.
Hoje amanhecemos o dia cantando, para variar, e fomos.
Um passeio maravilhoso, cheio de felicidade e descobertas...
Nunca havia estado ali. 
Monte Alegre, Brejinho, Santo Antônio do Salto da Onça, Serrinha. A paisagem, com a chuva caindo ainda timidamente, é encantadora.
Muitos casarios antigos, fazendas como se recortadas do passado fossem, um sem fim de pedras imensas correndo ao redor da estrada.
E muita pobreza. Crianças pequeninas esperando esmolas de quem passa em carrões, outras tantas estendendo as mãos a procura de um auxílio por taparem os buracos da estrada (que são muitos) com as mãos...
E tanta dor nos seguiu.
Absurdado, parei em cada criança dessa, chorei choro de dentro d'alma. 
Tinha bolo, sucos, umas moedas e tantos no carro. Cada história vi.
Mas, enfim, chegamos a Santo Antônio.
Uma cidade lindinha. Bem interiorana, cheia de belas paisagens, casas que resistem a vida e ao mal gosto de prédios moderninhos...
Foi um abraço, uma volta ao tempo.
De lá para Serrinha.
E de Serrinha para o Góis, terra de Edna.
Ao chegamos um mar de crianças nos seguiu. O carro parecia ser a maior novidade dos últimos anos. E era. Soube, depois, que carro ali fazia tempo que não aparecia.
Paramos para conhecer Crésio, que se derreteu ao ver a noiva saudosa e difícil.
- Vai pra lá, Crésio!
Ele, meninão, ria.
Conheci seu pai, sua madrasta fofa, os quatro irmãos. Um deles, de doze anos, corpo franzino, trabalha desde os seis, numa fazenda ali perto. E monta um cavalo como gente grande, um danado, uma estrela em meio ao sertão, de nome Quininnim.
Comemos muito, sobre uma mesa posta ali, ao vento, sob um velho cajueiro, no quintal da família. Pratos azuis, Colorex, toalha puída, tudo feito com muito amor.
E passamos uma tarde maravilhosa!
Crésio chegava perto, ela pedia para sair!
- Ele só vai bulir nimim quando casar!
Antes disso...
- Sai, Crésio!
Ele saía. Rindo.
Calor? Não vimos passar.
Rimos muito, descobri outro mundo, sempre tão íntimo meu, dessas andanças que divago na vida.
A casa de Edna, amarelinha, tem luz faz um tantinho de tempo.
- Antes era na luz de lampião, um escuro de dar dó.
Ainda não tem água, sem tantos agrados assim.
Mas é, certamente, uma das mais belas casas que já vi na vida. Tudo muito pobre, muito limpo, mãos lavadas em cuias, torneiras que não saem nada, TV quase inaudível, com o péssimo sinal, um roçado ali perto, trabalho árduo, outras muitas histórias de opobreza, por entre vizinhos tão ou mais carentes.
As plantas, acreditem lindas, só vêem água quando Deus manda...
Galinhas passam, visitas chegam para ver o movimento, o vento sopra quente, aquecendo olhos e corações.
Foi, sem favores, um presente para mim, os meus amigos, minha filha... ver tudo aquilo.
E no meio do nada, do pouco – uma gente feliz, disposta pro mundo, rindo pra vida.
A tarde caiu e voltamos para Natal.
Tão felizes...
Edna ainda comentou, ao se despedir.
- Muito obrigado por tudo. Foi um grande prazer ter vocês aqui, na minha casa. Fiquei muito feliz. Eu e minha família agradecemos muito, viu?
E encheu olhinhos d’água.
Mal sabe ela que... nós ganhamos um presente inesquecível, nesta sexta de comecinho de ano...

Eu não existo sem você

05/02/2010 às 19h49

Fomos, eu e Keity essa semana, renovarmos nossa carteira de motorista.
Juntos, como fazemos tudo há quase 20 anos.
Sim, sim... e lá se vão 20 anos.
Fiquei pensando, nós dois ali.
Ela sempre dona da situação, eu ali atrás, vendo o mundo ao seu redor.
Sou do tipo que não liga para carteiras. E se tem documento, se o cartão ta ali dentro, se falta algum documento... nunca me importei, acredita?
Então não sabia que minha carteira de motorista estava se vencendo...
- E se vence?!
Ela não responde, muitas vezes.
No DETRAN, em meio ao caos, percebi mais uma vez que não sou nada sem Keity. De verdade. Ou, na melhor das hipóteses, sou muito pouco.
Precisamos renovar também nossa carteira de motorista internacional, já que estamos voando esses dias...
- E a mesma daqui não serve?!
Aí passamos uma manhã no DETRAN, de mãos dadas, correndo de um lado para outro, com amigos nos orientando o que fazer.
Eu, nem aí, vi um cachorro abandonado e fui até o carro pegar ração – sempre tenho um pote de ração para meus bichos sem donos...
E ajudei um velhinho a entrar e sair do toalete...
E abri e fechei portas para um cadeirante que era obrigado a subir, descer degraus.
Foi um dia atípico, um calor insuportável, umas cenas nunca vistas.
E se você me perguntar sobre o caminho das pedras... não sei, não lembro, não nada.
Sim: fizemos uma prova. Ela, claro, tirou dez. O que, no seu caso, não é nenhuma novidade. Ela sempre tira dez...
Eu, morrendo de medo de ser reprovado, tirei 9.6 – o que, no meu caso, era uma grande novidade. Notas assim só em português, literatura e história, ao longo da vida.
E batemos fotos...
Se o dia foi uma maravilha, então.
Certamente que sim.
Me descobri mais apaixonado, mais feliz. E pela primeira vez me dei conta de que caminhamos para 20 anos de amor eterno...
Um amor que venceu barreiras, construiu sonhos – e, vê que bárbaro, até tirou carteira de motorista juntos.

Com que roupa eu vou, Tia Ivanilda?

05/02/2010 às 08h35

Eu, Tia Ivanilda e a roupa que virou uma prece

Foi na dor da saudade, que me apeguei, muitas vezes, por sobre o sol do Tibau.
Foi na morte, até. No fim, no que Deus, tantas vezes egoísta, levou...
Perdi três pessoas muito queridas nos últimos tempos...
A primeira foi Tia Ivanilda...
Lembro que, quando ela veraneou pertinho da nossa Casa das Ondas, muitas vezes a levava no meu carro para passearmos. Muitas. E aí falávamos sobre tudo. Sexo, boa vida, profissão...
Ivanilda Linhares sempre foi uma mulher a frente do seu tempo. Trabalhou no mundo, quando as mulheres honravam fogões e tanques.
Era mulher do rádio, uma voz liiiiiiiiiiiiiinda, imponente.
E virou minha “tia” logo que cheguei do Rio de Janeiro e nossas vidas se cruzaram.
Fizemos, juntos, parte do Movimento de Cristandade de Mossoró. E tantas vezes organizamos, juntos, eventos para as boas causas da igreja.
Certa feita fiz Tia Ivanilda vestir uma saia curtíssima, colocar uma peruca loura – fiz dela uma Hebe Camargo louca. E ela topava.
- Que pernas lindas, Tia Ivanilda!
- Cala a boca, menino!
Tia Ivanilda esteve presente no meu noivado, no meu casamento, em todas as festas que fiz – e foram muitas – em Mossoró.
Um grande amor que... três amos atrás, durante o verão, foi recebido na minha casa, para a “primeira” festa que ali fazia... era um chá, o Chá da Ivanilda. Presentes estavam suas filhas e Nizinha Lima, outro “velho amor”, com sua prole.
E Tia Ivanilda não comeu nada. Pode?
É que realmente ela não comia nada. Adorava uma bananada, um Nescau e tchau.
Lembrei que, nos seus 70 anos, fizemos um jantar e eu, sempre gaiato, servi... papa de Cremogema, de Aveia. Foi um riso só... os convidados comendo papa...
Mas... depois de um caningar muito, Tia Ivanilda comeu uns pães, uns docinhos... e tomou Nescau.
Foi nossa “última festa”, apesar de ter passado aquele verão inteiro levando-a de um lado para o outro...
Falava sobre meu casamento, pedia conselhos, ouvia suas histórias... Adorava aquele encontro ao cair da tarde, para comprarmos pão. Certo dia passamos mais de uma hora e meia andando de carro pelo Tibau...
Uma roupa, que adoro, usei pela primeira vez, no Chá da Ivanilda. Até foto batemos juntos.
E desde a sua partida, não usei mais aquela roupa. Guardei num cantinho do meu coração... e toda vez que olhava, olhos cheios d’água, vida saudosa estava, coração num aperto uníssono.
Até que nesse verão resolvi usar.
E usei três vezes. Uma delas para comprar pão.
E de uma hora para outra senti algo “estranho” no carro. Um cheiro diferente...
Era o cheiro da minha velhinha amada. Ela estava ali.
Passei um tempo grande andando de carro... sozinho... e conversando como se ela estivesse ali. E rezei muito, ela estava feliz.
Usei a roupa mais duas vezes.
E por duas vezes rezei por ela, para ela...
Não sei por que escrevi tudo isso.
Talvez uma declaração de amor; quem sabe uma homenagem...
Tia Ivanilda sabe quanta falta faz na minha vida...
Sei que muitas vezes ele visitou Valentina, abençoou.
Numa das vezes foi no penúltimo dia do meu verão...
Estava com a roupa de rosas azuis e vermelhas, com Valentina no colo. Íamos dar uma voltinha quando aquele cheiro me invadiu a alma novamente.
E Valentina sorria, muito, dobrando o riso para o que estava atrás de mim... E assim ficou mais de um minuto, rindo “pro nada”.
Tive certeza que era minha Tia Ivanilda novamente, a abençoar minha filha, minha vida, meu coração.

Um conto de Natal

24/12/2009 às 16h51

Coisa de 10 anos atrás, na minha chegada aqui no Natal, tinha um programa na TV Ponta Negra. Aliás, o melhor programa que a TV Ponta Negra já teve. Lindo, classudo, irreverente, feliz – e com um apresentador nada modesto....
Acabou porque cansei. Acabou porque cansei – e como enjôo de tudo o que não me agrada tanto assim... liguei para Priscila de Sousa e comuniquei que não mais queria trabalhar ali.
De onde guardo ternas recordações, amizades que duram até hoje... como Lídia Pacce, Ledson França e Januário Costa – de Saboya.
Fui como convidado da hoje prefeita Micarla de Sousa.
A história aconteceu assim...
Recebia muitas flores, muitas cartas, até pedidos de casamento... e numa delas uma menina, Gabriela, pedia de presente um bolo de 15 anos, Coca-Cola, umas coxinhas.
Eu achei a carta linda e lembro-me que passei dias chorando, aos soluços, como adoro, lendo e relendo a carta.
Aí resolvi fazer uma festa.
O meu Versailles entrou com o espaço e as delicinhas – mal sabiam que esse gesto se repitiria tantas vezes... Como o Versailles me ajuda nas minhas “caridades”!
Herta Guilherme foi a cerimonialista, Fátima Melo a fotógrafa, Juraci Lira fez o vestido, consegui uma viagem para Beto Carrero com a Harabello.
E a festa aconteceu. Lindamente.
Na semana seguinte conversei com um casal de empresários da cidade, que conseguiram uma bolsa no CEI (acho até hoje que eles pagaram os estudos de Gabriela nos dois anos em que ela lá estudou) e a menina, dois anos depois, passou no Vestibular para Medicina. Primeira colocada, vê que glória.
Gabriela, então, foi fazer Residência no meu Rio de Janeiro, “presente” de Francisca Mourão de Brito Cunha, uma velha amiga da família... pessoa do meu grande bem querer, que a abrigou por longos anos.
E, graças a Francisca, Gabi estudou para um concurso da Petrobras e... passou. Mais uma vez em primeiro lugar.
Ontem ela me ligou. E para seus braço eu fui. Ela, Dona Maria José e Seu Raimundo, seus pais, me aguardavam ansiosos para uma despedida.
Choramos juntos, choramos muito, revemos fotos. Eu ganhei uma camisa da Richard’s... uma chinela linda.
Gabriela é, desde o nosso primeiro encontro, uma das pessoas mais iluminadas que conheço. É determinada, apesar de tantos tombos que a vida lhe deu. É vitoriosa, minha gente.
Saiu da Comunidade do Japão para abraçar o mundo, para ser feliz. Há dois anos sustenta pai, mãe, as três irmãs...
E foi dessa família abençoada que fui, coração partido, me despedir.
Os seis voaram hoje para o meu Rio de Janeiro.
Vão morar na Bambina, em Botafogo, lugar, vê que lindo, dei o meu primeiro beijo na boca, na minha primeira namorada, Júlia. E onde estudei assim que cheguei no Rio, no Colégio Le Grand Rezende.
Ah, Deus, como sou feliz!
Como Gabriela e sua família me fazem felizes!
Como Deus é bom para mim!
Minha vida já valeu!
Gabi já venceu.

A festa de cada um

24/12/2009 às 16h31

Estávamos, eu, Keity e Valentina, preparando a última festinha aqui de casa.
Tudo muito tranquilo, espumante gelando, os garçons chegando...
Aí... fui passando pela vida, adorando ver o mundo, a caminho de alguma coisa no Midway.
Na Alexandrino de Alencar, um jovem casal festejava o primeiro ano do filho.
Como a casa é pequenina, todos foram felizes ali mesmo, na calçada, entre carros que desciam o Tirol a mais de cem por hora.
A mesa do bolo na garagem, o nome da criança, Matheus, preso ao gradio e... tudo lindo. Lindo de verdade, de alma.
Adorei ter vivido aquele evento, ter visto aquilo. Porque é na simplicidade do mundo, que os corações se encontram...
Essa família certamente não sabe, mas somos fãs dela. Pai e mãe sempre zelosos, gente que luta de verdade na vida – sempre os vemos, ao passarmos ali.
Mas adiante, jovens festejavam a vida numa... funerária.
A funerária é de dois senhores... como não podiam fechar o negócio, o jeito foi levar a turma para a festa. Fúnebre, jamais! Todos felizes, Coca-Cola, um bolo de chocolate imenso e... os caixões ao fundo, como se não importassem.
Ah, Avenida Alexandrino maravilhosa! E lúdica!
Ainda vi, ali pertinho, um grupo de evangélicos gritando. Aff!, como gritam! Estavam noutra festa, de uma igreja, pastores de calças de pregas e adoradores do Cristo brindavam com suco (claro) e falavam muito, riam muito e vez por outra ouvia-se Aleluia!!!
Cheguei ao Midway extasiado com a vida alheia. Como é bom a diferença do mundo, a diferença dos outros!
Fiquei feliz com o olhar que Deus me deu.
Cheguei ao Midway agradecido, feliz.
Como os pais de Matheus, as crianças da funerária, os evengélicos... viver, ah, é uma maravilha!

Para Veri

07/12/2009 às 16h55

Um carro, a mil por hora, passou por sobre meu velho coração, na madrugada de hoje.
Morreu Veridiano, um anjo bom... e que tanto amávamos.
Veri foi um dos presentes que o casamento de Karina e Reno nos deu.
Belo, inesquecível presente.
Veri nasceu mais de 40 anos atrás, sabe Deus onde.
Não teve pais, ganhou outra família.
Sabe Deus porque, seus pais preferiram não tê-lo.
E não nos cabe nada. Nem julgar, nem falar, só saudade. E muita.
Veri era uma pessoa boníssima – não porque desencarnou, como acontece com a imensa maioria na vida. Era bom desde sempre. Talvez pela rejeição do mundo, talvez pelo sofrimento trazido do berço que, so seu caso, sequer existiu.
Veri chegou à casa de José Vasconcelos Neto e Zuíla vai fazer 20 anos – ou algo mais ou menos assim.
Era a presteza em pessoa; a caridade em vida; a vida em risos.
Sua voz quase não existia e só depois de muito convívio conseguíamos entender suas falas moles, lentas, desmaiadas.
Arrumava uma casa como ninguém. Ah, e como cozinhava! Misturava tudo, fazia o melhor dos “machimelos” (era assim que ele chamava) e quando o assunto era empadas, fazia as mais maravilhosas do mundo.
Quando nossa Valentina nasceu, Veri veio para Natal. E passou um mês aqui em casa, cuidando da gente, da nossa filha que, como eu, Keity, Terezinha e Maria do Socorro logo se apaixonou por ele.
E como foi importante, nosso Veri em nossas vidas, nesse comecinho de Valentina!
Tanto, que sempre ligávamos... e avisávamos que queríamos ele aqui novamente.
Ah, Veri, como quisemos bem a você!
Que nos últimos seis anos viveu ao nosso lado quando compramos uma casa no Tibau, tantas vezes arrumou nosso lar... e quando Valentina nasceu, nas nossas festas.
Aí um carro vem, acaba tudo.
Claro que entendo, Deus sabe das suas – e o egoísmo divino, de querer os bons ao lado seu, é um sinal, um conforto, a hora chegada.
Veri partiu “acabando” conosco.
E hoje estamos assim: quase nada, um sopro de vida e saudade.
Morreu uma das pessoas que está, certamente, entre uma das que quisemos mais bem nesse mundo.
Por tão pouco tempo... e já tão dono da gente.
Triste, estamos todos nós.
Um beijo, Veri querido... 
E saiba que, toda vez que entrarmos na casa de Zezinho e Zuíla, quando sempre nos esperava no portão... vamos rezar por você.
Para sempre!

Ouvidos para o bem

29/11/2009 às 23h37

Há anos tomei uma atitude na minha vida. De verdade, deve fazer uns 20 anos. Era moleque, ainda, mas desde então, esse é um dos lemas da minha vida.
Só leio o que quero!
Só faço o que quero!
Só olho para onde quero!
Só falo com quem eu quero!
Insuportável, eu, não?
Bem... Só leio aquilo que me faz melhor, maior, mais inteligente, capaz.
Como não concebo ninguém escrevendo errado publicamente – também acho gente burra uó!
Eis uns segredos do meu humor: essa redoma.
Ninguém – nin-guém – consegue me atingir – e acho esse, um sábio caminho.
“Vivem melhor, aqueles que não se importam com o menor da vida”, já dizia meu Machado de Assis.
Ou, como diria meu poeta Rimbaud “Sou feliz porque não olho para os sentimentos pequenos”. Rimbaud dizia isso, mas era infeliz.
Eu não.
Bem... esse assunto nasceu porque...
Quinta-feira, um desses blogueiros da vida, numa nota profundamente maldosa, agrediu um empresário da cidade.
Tão maldosa e desnecessária, a tal nota virou motivo, até, de comentário numa sala do curso de jornalismo da UFRN...
Tão infame.
A pobre mãe do empresário leu. Passou tão mal que faz três dias que está internada, pós um infarto causado pela... maldade humana.
Aí eu fiquei pensando... como pode existir gente assim?
Mas existe. Aos montes, aos tantos.
Mas não as conheço. Simples assim: não as conheço, não dou bom dia, sequer.
Gente assim merece distância – e piedade. E reza.
Gente assim, sinto muito, não é gente.
Por isso resolvi me proteger. E todos me conhecem tanto, que a ninguém, nessa vida, permito a ousadia de me contar coisas maldosas sobre seu ninguém. Sobre Chrystian, então, nem vem que não tem.
Muita gente já deixei de lado nessa vida, por causa disso.
Se é pela metade, adeus!
Se não conversa olhando no meu olho, adeus!
Se não é leal, adeus!
Se mente, adeus!
Se gosta de futricar sobre a vida alheia, adeus!
E, quer saber? A gente vive melhor assim.
Gente assim não soma, não contribui, é gentinha. E gentinha, sinto muito... é gente pela metade.
Pedir a Deus que a pobre mãe, que leu um absurdo daquele contra seu filho... fique boa.
E que o filho de Deus que escreveu tamanha maldade, encontre Deus, um dia.
Sábado fui visitar dona Chiquinha, uma velha senhora que mora perto da Comunidade do Curtume, onde eu a Igreja de Santa Terezinha já construímos um mar de casinhas...
Dona Chiquinha tem 76 anos de idade, faz suco e salgados para vender e os vende, acreditem, de bicicleta. Dois reais suco gelado e salgado quentinho. Hum.... e são uma delícia!
Bem... dona Chiquinha estava triste, balançando-se na velha cadeira de palhinha que foi da minha avó e eu resolvi dar para ela de presente.
- Que carinha é essa, minha amada!
- Carinha de tristeza, meu fi.
- Que houve?
- Uma mulhé amiga de uma comadre minha morreu.
Eu fiquei parado ali, sem ação. Quando pensei em dizer algo...
- Inventaram que a filha dela estava tomando droga num bar. Ela foi atrás da filha e um caminhão passou por cima dela.
- Meu Deus!
- Era mentira, meu fi. Rosa estava em casa, com o marido, que é alcoólatra. Uma moça distinta, amiga de todos aqui e agora sem mãe pro mode a mentira de uma pessoa sem Deus no coração.
Passei um pedaço, com ela, conversamos uns dedos de prosa, perdia a graça, ali.
Mais uma vez... o ser humano mentindo, criando, fazendo das suas.
Talvez se a mãe da Rosa não tivesse ouvido... estivesse viva. E certamente passaria um Feliz Natal com todos os seus.

SÓ OUÇA AQUILO QUE LHE FAZ BEM!
NÃO PERMITA QUE NINGUÉM VENHA LHE CONTAR MALDADES!
SÓ LEIA O INTELIGENTE, O BOM, AS MARAVILHAS DA VIDA!

Sem pecado e sem juízo

25/11/2009 às 23h54

Ando assim, meio sei lá, sem tempo pra nada.
Por isso sumi daqui.
Ando, de verdade, como nunca na minha vida, ocupadíssimo.
Aí hoje resolvi passar um tanto da tarde em Ceará Mirim. 
Eu, meus velhos cachorros abandonados, minhas crianças. Rolei no chão, bunda-canastra, pegas, gritos, campeonato de cuspe a distância, bolo, Coca-Cola.
Joguei tudo para cima e... ah, como fui feliz!
Aliás, como sou feliz. E duvido que no mundo exista alguém assim, como se dizer... mais feliz do que eu.
Olho para trás e vejo que dei certo na vida. 
Dei certo no amor.
Na minha profissão...
E continuo dando.
Claro que tenho lá meus problemas – que são mínimos, diante do mundo. E que tenho todos os defeitos do mundo, claro também.
Mas minha vida é um presente de Deus.
Vivo lendo, escrevendo, festejando. Agora debruçado sobre a obra contundente de Amos Klausner, um escritor israelense que é, já, para mim, um dos meus preferidos.
E entre livros e felicidade, festas. Muitas. Acreditas que, quando dia 26 de dezembro chegar, terei feito, em 2009, exatos 103 eventos.
Olhando para trás, agora nem acredito.
E cada um diferente do outro, cada convite lindo (salvo raras exceções), cada festa boa!!!
Mas, voltemos a minha creche, meus cachorros.
Hoje, Lulu, uma das minhas lindas do Centro de Caridade São Francisco de Assis, me disse baixinho.
- Tio Cristo, gostaria de ser ingual ao sinhô.
- Como Lulu?
- Feliz, tio Cristo!
Vocês não têm ideia de como meu mundo, ali, desabou. 
Lulu é triste, realmente. Aliás, acho que sua única alegria sou eu. Pais nem aí, vida pobre, fome, dores do mundo – e tão novinha, meu Deus.
- Você é feliz, meu amor. Escuta, vê, pode correr, me tem... Pelo mundo, Lulu, existem pessoas que não podem fazer nada disso. E isso, acredite, é um presente de Deus.
Achei que ele riu, com o canto da boca mas riu.
Aí chegou Júnior, o mais apaixonante dos vira-latas. Grandão, derrubou meus cem quilos no chão. Foi uma algazarra. A criançada rindo, Júnior me lambendo... 
Tião, um menino de olhar profundo, gélido, perdido no nada, me ajudou.
- Tio Cristo, levanta!
Como esse nome me pesa, meu Deus! Logo eu... Cristo!? Pobre Cristo...
- Obrigado, Tião!
- Lulu disse que queria ser igual ao senhor?
Ele fala bem, é articulado, parece mais velho do que seus doze anos de idade. Está sempre limpo, arrumado, calças, camisa de botão. 
- É Tião, ela disse.
- Eu não queria ser igual ao senhor não!
Pensei: lá vem outra bomba.
- Por que, Tião?
- Se chatei não. Mas o senhor não tem um pingo de juízo.

Adorei.
Ri. Achei aquilo um belíssimo elogio.
Me limpei, bati as chinelas, pedi para alguém limpar meu óculos.
Aí Júnior correu pra cima de mim e me jogou no chão novamente.
Desisti. Bolei com ele ali, na abençoada areia do lugar mais lindo que existe no mundo...

O céu estrelado de Zuíla

26/10/2009 às 12h20

Outro dia eu, Zuíla Ramalho de Vasconcelos, José Carlos Pinto, Janete Martins e Rafaella Costa voltávamos da Casa Cor Ceará, quando meu carro, uma hora da madrugada, apagou geral.
E ficamos na estrada os cinco, mais o motorista Hugo Andrey, outro anjo de guarda.
Aí...
Zé Carlos Pinto deu uma risada.
Hugo, preocupado, saltou do carro abrindo todas as portas, motor, sei lá o que estava à procura.
Rafaela Costa ligou para a mãe, preocupada, mãos no colo, comunicando o fato.
Janete pôs-se a rezar, fervorosamente.
Eu, imediatamente, liguei para o seguro ainda dentro do carro.
E Zuíla... ah, Zuíla... saiu na maior calma, olhou para o céu e soltou essa... “Meu Deus, muito obrigado por estar aqui, vendo o mais lindo dos céus estrelados que já vi na minha vida”.
E deu uma risada que certamente chamou a atenção dos bons espíritos, das raposas que ali passavam, do mato sequinho que corria e vida.
"Meu Deus, que céu maravilhoso é esse?! Ai, como tô feliz aqui! E esse vento, quantas estrelas lindas"!, seguiu, suspirando.
Pára tudo!
Achei aquilo lindo!
Verdade!
Estava explicado, naquele momento, quem é quem diante do mundo.
Uns preocupados com a vida que às vezes segue cursos que nós não queríamos... sofridões, medos, desesperos... outros, como Zuíla, olham para o céu e agradecem a Deus.
Relaxei total, com a frase dita pela pessoa encantadora, que ao lado do respeitadíssimo Oftalmologista José de Vasconcelos Neto construiu uma linda história de amor, uma família que a gente ama, caminhos ilibados.
Aquela frase, naquele momento, me fez querer ainda mais bem.
E admirar mais.
Eu, um já apaixonado pelos céus, luas e estrelas, àquela noite fiquei mais.
Feito o livro de D.J. Conway, uma bruxa inglesa que eu adoro, que escreveu o maravilhoso “Livro Mágico da Lua” e que chama as estrelas de “minhas sacerdotisas”.
Zuília é assim: do bem, riso frouxo, gente que as pessoas adoram estar por perto. 
O carro? O seguro chegou, uma hora depois. Fomos rebocados. Ela ainda admirada com os céus, cochilava, tornava a rir, contava histórias...
Ah... por que não fomos amigos desde sempre?
E por que não nos conhecemos melhores, antes?
Hoje quero bem grande. Vontade grande, até, de escrever.
É, eu sei... tudo tem lá seu tempo. Mas no caso de Zuíla... gostaria, de verdade, que a vida voltasse atrás. 
- Liiiiiiiiiiiiiiiinda, é assim que a chamo, você é um grande presente em nossas vidas!

A velhinha do pano de prato

12/10/2009 às 09h13

Deixava o Banco do Brasil, essa semana, finalzinho da tarde, hora mansa, céu cor de rosa.
Apressado, para variar.
Bancos em greve, fila imensa. Queria retirar dinheiro... Não consegui.
Entrei no carro, liguei o ar condicionado, Lulu Santos no último volume e...
Meus olhos foram ao encontro de uma velha senhora.
Dona Dagmar vende panos de prato na Afonso Pena faz 20 anos. 
Vende também no Centro da cidade, ali na Princesa Isabel, porta em porta.
Estava suadinha, cansada do mundo, já acostumada ao desprezo da humanidade.
Fiquei impressionado.
Como as pessoas não olham ao seu redor, não se compadecem do mundo, não enxergam, sequer, numa velhinha cansada da luta, a possibilidade da solidariedade.
As pessoas passavam por ela como se ela nada fosse.
E para essas pessoas certamente não era nada, a pobre Dagmar.
Que estendia as mãos lânguidas, oferecia seus paninhos e saia dali com uma cara tão triste com a reação, inexistente, das pessoas, que as cenas me cortaram o coração. 
E se repetiam.
E se repetiam.
Pelo menos dez pessoas que riem tão encantadoramente para mim, fizeram-se de rogadas. E ignoraram a arte da velha senhora. E a velha senhora seguia vendendo seus paninhos.
Que absurdo!
Por isso também, o mundo já era!
E balas perdidas encontram corações de vida, e a fome grita e o moleque sem prumo, sem rumo na vida assalta, mata, morre.
As pessoas esqueceram de se solidarizar – ora, bolas, para o inferno se você não precisa de panos de pratos!!!
Naquela situação, a exerceria, até com um “não, muito obrigado”. Mas não desprezaria.
As pessoas são muito individualistas – e o mundo vai-se indo para um fim triste...
Procurei dinheiro, não achei nada.
Finalmente! Tinha uma nota de cinquenta reais na agenda!
- Ei!
- Quer um paninho, meu fi?
- Quanto é um?
- Três por cinco, quer?
- Quero dez vezes três por cinco!
- O sinhô tem um restaurante?
Eu pensei comigo mesmo... não, tenho um coração. E coração, meus caros, basta. Muitas vezes basta!
Ri e entreguei os R$ 50,00 reais.
- Deus abençoe o sinhô, meu fi.
- Deus abençoe a senhora também!
Não custa nada ajudar o mundo a ser melhor.
NADA!
Naquele dia, dona Dagmar, que deve ter uns 70 anos, voltou para sua casa melhor. Eu fiquei melhor.
Os panos de prato...
Bem, levei-os todos para o Centro de Caridade São Francisco de Assis.
Ah, meu Deus! Fiquei sem um tostão para comprar uns jornais!!!

Eu, os filhos que Deus me deu

10/10/2009 às 18h26

Vida Júnior e Didisso com tio Cristo

E na hora da prece... Deus em todo lugar!

Minhas lindas meninas...

Lara, Catita, Andressa e Lalinha

Neco e Larissa: viva!!!


Eu e Dedêu: especial, tímido e coração cheio de bondade

Felicidade na alma, que ri

Toco e Lalinha com Tio Chrystian

Existe riso mais lindo?

Acabamos de chegar de Ceará Mirim.
Lá onde Deus pintou de verde os mais lindos vales do mundo.
E de onde um anjo chamado Claudia Rocha comanda preces, abraços e amores por sobre vidas tantas.
Uma tarde felicíssima – uma energia forte correndo n’alma, a certeza que é possível sim fazer o mundo melhor.
Fizemos o Dia das Crianças do Centro de Caridade São Francisco de Assis. Mais de 200 crianças entre lanchino bom, festa, brinquedo pra todo mundo.
Ah, como fomos felizes! E somos!
Obrigado a cada amigo nosso que nos ajudou... com brinquedos bons, todos doados para as crianças que nasceram no entorno da Lagoa do Cosme.
Obrigado a Deus, pela oportunidade...
E a essas crianças apaixonantes – e donas de todo o amor do mundo!
Sempre que puder, ajude, abrace, faça alguma coisa.
Os céus mandam em dobro.
E você se transforma num ser mais feliz.

Deus, Didisso, Dádivas

05/10/2009 às 23h54

Vida traçada por um lado, fui obrigado – graças a Deus – a desviar meus caminhos hoje à tarde.
Troquei meu pedalar por sofrimento.
E alento, sei lá, ao ver que minha vida, espelhada na vida de tanta gente pobre desse país, é um presente diário de Deus.
E de shorts, olhos arregalados e coração quase inexistente cheguei ao Hospital Walfredo Gurgel.
O caos de sempre, para variar.
Atendentes de cara feia, sem nenhuma boa vontade e desinformações.
Depois de um dia de trabalho árduo, chegar ali é péssimo. Ainda mais péssimo, aliás.
Natal não tem sequer um hospital "decente".
Mas ficam políticos por aí querendo Copa do Mundo.
Absurdo!
Mas...
Claudia Rocha, da minha creche de Ceará Mirim, ligou avisando que um dos meus filhos, Didisso, havia se queimado. Cerca de 50% do corpinho lânguido, apesar da barriga imensa, estavam queimados.
Na felicidade de tomar leite, abraçou a panela fervendo.
Meu mundo desabou.
Sequer entendi como consegui chegar ao hospital.
Lá, depois de rodar atrás de informações, encontrei o médico e amigo Henrique Fonseca. Que me avisou como chegar. E fui.
Tremia tanto, que sabe Deus onde encontrei forças para ver meu pequenino.
Ao chegar a Centro de Queimaduras, que fica no antigo – e acabado hospital – me deparei com um monte (monte mesmo, é assim que são tratados os pobres desse país) de gente.
Sofrida, cansada, a procura de cura.
Um local sujo e feio, um guarda de pernas pra cima, um sem fim de dores do mundo.
Mas fui bem atendido. E subi as escadas, já que o elevador parecia ter medo de mim...
Didisso estava no corredor, mãos no chão, brincando com nada.
Quando me viu, ficou em estado de choque.
E fez xixi no calção velho e surrado com o emblema do Flamengo.
Estava sem camisa, com braços e barriguinha, costas queimadas. Muito queimadas.
Mas esqueceu de tudo e correu para meus braços, que tremiam muito.
Fiz-me homem grande, forte, segurei o choro.
E sangrei por dentro.
Por quase um minuto me abraçou tão forte que senti o queimar das suas entranhas.
Ah, Deus, como doeu!
Conversamos um bocado, ele contou em detalhes...
E ainda suspirou “Tio Cristo vai me levar daqui?”.
Engraçado como me sinto nessas horas. O peso do nome “Cristo” sobre minhas costas parece do tamanho do mundo.
E me sinto o próprio, muitas vezes.
Ser, na vida de tantos, a última esperança talvez, não é um fardo tão fácil assim de carregar...
- Não, meu anjo. Mas vou na rua agora, comprar um presente para você.
- O sinhô pode dormi aqui?
- Posso. Mas virei quando você adormecer. Durma logo, que Tio Chrystian vem em seguida.
Didisso, com dor, chorou um tantinho.
Limpei seus olhos sem viço, apesar de ser uma criança de 6 anos de idade... e, no chão, coloquei-o no meu colo.
Meu Deus, como tremia!
- O sinhô tá com frio?
- Muito!
- Vou pegar uma manta, quer?
- Não! Seu abraço me aquece.
E ali conversamos por uma hora.
Em seguida fui a uma loja. Comprei carrinhos, biscoitos, shampoo, cotonetes, escova, pasta de dentes, colônia...
E voltei para seus braços. E por mais um tempo brincamos juntos.
Aqui e acolá ele sentia vontade de chorar, mas segurava a onda.
Acho que ele, no seu infinito sofrimento, não gostaria que o visse às lágrimas.
Brincamos mais, comemos biscoitos.
Outras crianças chegaram. Tão tristes e sofridas quanto.
E ali mesmo no chão prometi voltar, trazer outras “besteirinhas”.
Deixei o Centro de Queimaduras aos prantos.
Ainda choro, quando me lembro.
Em casa, Valentina no colo, Terezinha e Maria do Socorro também, rezei quietinho pelas crianças do mundo. Pedi por Didisso, meu lindo menino.
E forças a Deus, para que amanhã me carregue em seus braços para os braços daquelas crianças...

Ajudem Didisso. Ele é pobrezinho, carente...