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Paz de Chrystian

Abraço em Deus

04/02/2010 às 10h35


De férias do mundo, não deixei de sofrer.
Aliás, nas férias a gente sofre mais. Porque o ócio nos permite esse caminho. E quando a alegria se transforma em demasia, a gente se pergunta: e o outro? Por que, por exemplo, o outro não come tão bem quanto a gente, não festeja, como a gente, a boa vida?
Carmas?
Deus?
An?
E nós soubemos, já à noite, do caos que se instalou no Haiti... dormir pra quê naquele doze de janeiro?
Como?
As notícias eram truncadas – mas o suficientes para arrastarmos nosso coração numa dor sem volta. Ah, como rezamos, àquela noite!
Um país já tão castigado por tiranos latino americanos... tantos irresponsáveis no poder, por tantos anos... e o país chamado de “Pérola do Pacífico” se transformou num inferno. 
Em 1957 François Duvalier, o Papa-Doc, assumiu a presidência e implantou um regime de terror que durou até sua morte, em 1971. 
O terrorismo político continuou sob o comando de Jean Claude Duvalier, o Baby-Doc, filho de François Duvalier.
Já na década de 1980, com a crise econômica e o empobrecimento da população, o regime de terror perdeu força, até que, em 1985, Baby-Doc fugiu para um exílio na França. 
O país, então, estava morto, assassinado pela tirania irresponsável que corre as pobres Américas.
Entre 1985 e 1990, o Haiti procurou estabilizar sua situação política, mas uma sucessão de golpes militares impediu qualquer organização.
Pobre Haiti.
Pela manhã do dia 13, dona Zilda Arns virou outra dor em nossas vidas... ah, Deus, por que levá-la?
Mais de 200 mil mortos, diziam, já, àquela manhã, jornalistas da CNN... Estavam certos, os céticos. 
Eu, sem abrir sequer o computador desde o dia 27 de dezembro, dia 31 de janeiro abri, rapidinho. 
E encontrei um e-mail lindo enviado pela flor de gente Marília Bulhões, de Brasília.
Após a dor de oito dias preso sob o peso de mil escombros, sem luz, sem água, sem nada o que levar à boca, apenas Deus, eis que a vida grita. E essa cena, pelo resto de nossas vidas, vai gritar n’alma nossa.
Oito dias sem ver a sua mãe e sua família.
Olhos fundos pela desidratação, um sem fim de sofridão.
Não há lágrimas porque as crianças sempre guardam a esperança na vida, no colo, no abraço.
Não há dor porque a vida é ainda uma brincadeira para eles, diz o e-mail.
Por isso, quando se faz a luz, quando acaba o pesadelo.... sempre há um impressionante e caloroso sorriso.
De braços abertos para a vida e no aguardo do acalento da mãe, Kiki voltou para seguir a vida.
Uma pobre criança do Haiti, que, como todas as outras... come bolachas de barro. E sofre, e morre, e não.
É com o abraço dessa criança que eu abraço vocês... e canto que PAZ DE CHRYSTIAN voltou das férias.
Pelo menos PAZ...
Para você, para o mundo...
Nós descobrimos que Kiki, hoje, passa bem, Deixou o hospital de campanha ontem, três quilos mais gordinho...
Uma OnG norte-americana, a LIVE, sensibilizada, deu abrigo a ele, seus seis irmãos... e a pobre mãe, abandonada a sorte pelo marido dois anos atrás...
Hoje Kiki passa bem. Tem casa, comida, o aconchego e, num abraço lindo, os olhos de Deus.

Pernóstico, arrogante, autoritário, antipático, presunçoso, abusado e petulante

27/09/2010 às 00h36

Adorei!
Essa semana eu soube – e, juro por tudo (aff, jurar é de doze) que em nada me abalou.
Jornalista, a quem sempre abracei com atenção e coleguismo, falando o que, para ela, eram características péssimas sobre Chrystian de Saboya, num conhecido salão de beleza da cidade.
Ele é pernóstico!
Ele é arrogante!
Ele é autoritário!
Ele é antipático!
Ele é presunçoso!
Ele é petulante! 
Ele é abusado!
Achou pouco, desfilou sua opinião maldosa sobre pessoas que trabalham comigo.
Foi, contado no relógio, mais de meia hora de ódio – e, vamos combinar, assuntos totalmente desnecessários.
Só não contava que, ali ao lado, uma pessoa muito próxima a mim... escutava tudo. Tu-do.
Quer saber?, de verdade?, eu a-do-rei!!!!!!!!!!!!!!!!!
Em nada, canto e repito, me abalou. Sabe o que é... Eu não me abalo com nada.
E se aquilo, no caso o carinho que nutro – assim mesmo, no presente, pela tal criatura, não é correspondido... azar dela.
E, kkkkkkkkkkkkkkkkk... eu também me acho tudo isso. 
Aliás, fazer como Leo Fialho, amigo meu do Rio de Janeiro: "Azar de quem não gosta de você!"
Eu sou pernóstico!
Eu sou arrogante!
Eu sou autoritário!
Eu sou antipático!
Eu sou presunçoso!
Eu sou petulante! 
Eu sou abusado!
E... sou, kkkkkkkkkkkk, mais eu!!!
E foi assim que dei certo na vida.
É assim que finco meu pé no mundo, que luto por dias melhores para tantos, que, vê que antagonismo, canto o amor.
Lembrei, no exato momento, de uma senhora, mulher de um médico do Natal que, de tanto tentar me denegrir, falando coisas feias a meu respeito ao telefone – e ou no meio das ruas da cidade, um dia, anos atrás, cansei e, para mim, essa senhora se foi.
Sequer seu nome pronuncio hoje porque, diferente de muita gente por aí, não perco tempo falando da vida de ninguém.
Primeiro porque falar do outro é, para mim, assunto de gentinha. 
E gentinha é gente pela metade. 
E gente pela metade não me interessa.
E... eu sou de uma família nobilíssima, com nome, sobrenome e caráter. E... estudei em colégios muito caros no meu Rio de Janeiro, pagos a custa de muito trabalho da minha mãe. Sou feliz demais, realizado demais para perder meu tempo, valiosíssimo, falando de quem quer que seja.
Sou felicíssimo no meu casamento, tenho uma família linda, duas cachorras adoráveis que são a minha cara, faço as melhores festas do Rio Grande do Norte para, não acabar falando - do mundo - e você, que me ama, achar que além de pernóstico, arrogante, autoritário, antipático, presunçoso e petulante, kkkkkkkkkkk, também sou lunático.
Nunca liguei de ser simpático, sabia? Pelo menos com quem não conheço, pelo simples fato de... ser assim.
Acho que nasci com a síndrome, kkkkkkkkkkkk, de “Gabriela”, aquela do cravo e canela. Eu nasci assim, vou ser sempre assim, vou morrer assim...
E se arrogância, presunção... são adjetivos nada a ver para muita gente, em mim caem como elogios.
Sou, de verdade, tudo isso.
Mas não sou hipócrita, não perco meu tempo lendo ou ouvindo bobagens, não sou do tipo que sente inveja (coisa que nunca sequer experimentei ter de seu ninguém), não canalizo minhas energias e vibrações para o ruim da vida, e, se alguém joga mau olhado sobre mim, respondo com preces. Aff!, como rezo para esse tipo de gente.
Mas, enfim.
Vamos combinar: um cara que nasceu com esse nariz... teria, kkkkkkkkkkkk, como não ser tudo isso?
Bem... quinta-feira embarco para Europa. De primeira classe, pago com meu dinheiro, porque trabalho muuuuuuuuuuito. Aliás, como SEMPRE FOI. E SERÁ.
Eu, minha filha, a saudade do nosso amor.
E tal jornalista... ah, vai continuar no tal salão, cortando o cabelo de graça.

João e o pé de feijão

20/09/2010 às 21h15

É uma responsabilidade grande, escrever aqui.
O Portal, que virou referência no Estado, é, hoje, o mais acessado, respeitadíssimo no meio e no mercado e que, por seu conteúdo, atualização e boas energias tem, para mim, hoje, outro significado, fez minha vida valer ainda mais a pena – se é que é possível.
Vou chamar de João, a carta que recebi de J.K.S.O, que mora aqui no Natal.
O jovem, de 26 anos, digitou, imprimiu e, com flores amarelas deixou, em minha portaria, ontem, aquela que já é a mensagem mais emocionante da minha vida.
João escreveu que sentia muita depressão.
Que por muitas vezes tentou se matar.
E que outro dia, finalzinho da tarde, preparou tudo para, mais uma vez, tirar sua vida...
Aí recebeu a ligação de uma amiga, publicitária, que disse ter lido aqui no site, um texto lindo.
Que falava em vida, em Deus e que, àquele dia, seria importante que ele lesse.
Nosso João, que enviava dois e-mails para um tio seu, que mora no EUA e para um amigo de “longas datas” meio que se despedindo, então entrou no DeSaboya.com.
E depois, em PAZ DE CHRYSTIAN.
E...
Leu “Dançar com meu liquidificador”. Uma crônica escrita em oito de agosto último que fala em Valentina, minha filha... em outros filhos, no amor pelos animais e pelo mundo, na felicidade da vida, no que nos faz feliz.
De “PAZ DE CHRYSTIAN”, João leu outras.
E de outras crônicas leu LUZ, preces escritas por Bebel Carvalho, que tão bem faz à vida.
Decidiu, àquele momento, entre escritos tão despretensiosos, mudar o curso do seu rumo.
E viver.
João escreveu três páginas lindas para mim.
Falou na morte do pai, que o tirou de prumo.
E porque a famigerada depressão lhe havia visitado quatro anos atrás.
E escreveu sobre Deus, gratidão e espalhou por seus amigos, que texto foi esse que lhe arrancou do fundo do poço.
Para mim, nada me interessa mais.
Se para João tudo mudou, para mim esse Portal ganhou outra aura. Não me sinto importante, por esse feito. Sinto-me feliz, realizado e cúmplice de Deus – afinal não foram minhas palavras que tocaram João... foi Deus.
Que tudo pode, que tudo faz.
Que muda cursos e regras, que remove montanhas e que nos faz... vê que lindo, estarmos aqui, unidos na força da palavra, no encanto da poesia e no pulsar de um Portal que... só espalha amor.
É... já valeu a pena viver.
Por você, João.

O segredo

12/09/2010 às 08h48

Gosto de Socorro faz tempo.
Nem era eu, tão eu assim, quando nossa história começou.
Começou já Maria do Socorro de Souza Paiva, senhora absoluta, dona do seu destino. Anos depois de bater, porta em porta, com delicinhas suas, oferecidas a esmo, pelas ruas da cidade.
Já conheci Socorro dona de uma portinha maravilhosa na Frei Miguelinho, Requinte Buffet já era o nome.
A cozinha era a cozinha da sua casa, muitas vezes invadida por mim, para desespero seu, e rapidinho fui me fazendo seu fã, me desenhando seu amigo.
Socorro é, para mim, uma irmã – sei lá. Ou mãe, para fingir que sou pequenino.
É pessoa dileta, profunda no bem querer do meu coração.
Socorro se fez grande, vitoriosa e da “portinha” na Frei Miguelinho alugou uma casa na Nova Betânia, onde seu Buffet foi-se fazendo estrela das festas da cidade.
Foram dois anos ali e já são quase dez anos no seu Buffet, um espaço monumental, gigantesco, sem favores a maior casa de recepções do Rio Grande do Norte.
Socorro venceu.
Mas não é sobre essa Socorro, estes escritos.
Vão além do sem.
Do ser.
Do fazer a diferença no mundo e fincar seu nome na história.
Foi quarta-feira passada, nosso encontro no Requinte. Ela, o filho caçula Expedito Júnior. Fomos fazendo o menu de um jantar bem íntimo que fiz em Mossoró, para festejar meu aniversário, antes de partir para dias de mar e balanços de rede, no Tibau. 
Como é competente, como sabe!
Juntos criamos um menu que, no dia seguinte, foi cantado como um dos melhores da vida. Assim mesmo, de um dia para o outro. Socorro pode. E sabe.

E de repente perguntei sobre uma cena lamentável que aconteceu em Mossoró, dias atrás, envolvendo dois jovens.
- Não quero falar nesse assunto.
- Nem comigo?!
- Com ninguém. Me faz mal.
- Mas nós trocamos, sempre, tantos segredos...
- Mas não quero falar. Quero pensar que as pessoas são boas, que não denigrem umas as outras, que não ficam a espreita, a desejar o mal de ninguém, que, como você faz, não espalham o ruim da vida.
- Você tem razão.
- É, Chrystian... as pessoas esquecem que têm pais, que são filhos. As pessoas esquecem que a vida gira, que Deus existe!
- É... você tem toda razão do mundo! Esqueçamos, então!
Fazíamos referência a maldade do homem, àqueles que, sempre incomodados com a vida alheia, denigrem, amaldiçoam, fofocam – e com tudo isso desagregam.
Nesse momento entramos na cozinha, comecei a abrir seus armários, descobri uns salgadinhos “passados”. Ah, até “passada” sua comida é uma maravilha!!!
E de repente entramos no seu escritório mais uma vez. E trocamos outros assuntos.
E, ao deixar o Buffet, fiquei pensando mais em Socorro. Querendo ainda mais bem a ela.
Descobri, ali, porque ela cresceu tanto, porque venceu tantas lutas, porque, de Pau dos Ferros, onde nasceu, para o mundo, transformou-se numa empresária de sucesso, respeitada, dona de um dos maiores – e melhores – buffets não de Mossoró, apenas, mas do Nordeste. Sim, sim: Socorro é, hoje, uma das maiores empresas de eventos do Nordeste do Brasil.
Centrada, destemida, grande no âmago.
Ainda mãe zelosa de quatro homens de bem, filha especial, amiga de tantos, mulher de Expedito Paiva.
Socorro, naturalmente, venceu por sua competência.
Porque é curiosa, incansável, seriíssima no ofício.
E porque luta.
E luta.
E vence.
Mas Socorro venceu porque é boa, tem a alma doce... e faz do amor, do respeito ao mundo, uma bandeira trêmula, altiva, coração.
Porque nunca, nesses mais de 15 anos de respeito mútuo, de amizade verdadeira, vi Socorro falando mal de ninguém, denegrindo ninguém, fazendo o outro sofrer.
Viva Socorro!
Viva Socorro!
Viva minha amiga Socorro!

Declaração de amor

22/08/2010 às 23h02

Saímos hoje, domingo de sol ameno, dia cinza, eu, Keity, Terezinha, Maria do Socorro, Valentina (desculpe a ordem, mas as primeiras filhas, primeiro), Gerlane, a “Nana” babá da nossa pequena linda e uma sobrinha amada, Letícia, nossa quase filha faz dez anos.
Fomos, família feliz que somos, em busca da felicidade. Mais? Que custa, não é mesmo?
Sem rumo no mundo, só indo pro vento.
De Ponta Negra chegamos a Cotovelo, de lá até Pirangi, de Búzios a Enseada dos Golfinhos, Nísia Floresta.
E como se inventar não bastasse, decidimos, às quatro horas da tarde, pegar o caminho de Brejinho, ao encontro de Santo Antônio do Salto da Onça.
Estava decidido. Íamos fazer uma surpresa a Édna, nossa também funcionária adorável, dona dos melhores risos do mundo.
Édna, vocês já leram aqui, é um amor.
Mora no Góes, um povoado distante do progresso, no município de Serrinha, meio dos matos.
E fomos nós, todos felizes.
No Góes, uma surpresa.
Antes passamos numa padaria pobrinha, limpíssima, compramos trinta pães, Coca-Cola, queijo de coalho.
E fizemos a festa, quase 18h, quando lá chegamos à casa de Chico de Pié e dona Tereza, pai e adorável madrasta de Édna.
De repente vinte meninos a nossa volta...
Mesa no quintal, Lua Quarto Crescente a nos fitar, “chega, chega! Um perfume Johnson, para muriçocas espantar”.
Foi um passeio singular.
O clima friinho, a vida verde do outro lado da janela e uma família como tantas outras nordestinas, sentimento sertanejo cravado no coração do Nordeste.
Pensei nisso, o tal abandono pelo qual tantos passam nos Brasis.
No Góes não é diferente.
No lugar não existe telefone público, praça... e uma velha escola serve de esteio para quem, sei lá, sonha ser... alguém na vida.
E tantos tanto tem, nem nem.
Tantos cheios de oportunidades, nem nada. Não ligam, deixam a vida passar.
Na volta, me bateu um saudosismo.
Keity viaja para Alemanha em uma semana.
Vai concluir seu Doutorado em Ciências Criminais no Instituto Max Planc, onde heroicamente passou, aos pés da Floresta Negra.
Eu e Valentina vamos ficar indo, vindo, indo, vindo...
Será um ano assim.
Valentina, ano que vem, vai morar na Europa.
Eu... vou morar na saudade.
Desde que juntos estamos, há quase 20 anos, será a terceira vez, essa distância toda.
A primeira, quando Keity morava no Canadá; eu no Rio.
Já ficamos distantes uns meses, por causa da Itália, quando ela morou por lá...
Mas assim, um ano, a primeira vez.
Nesse período todo, nunca passei meu aniversário sem o meu amor.
Mesmo ela “odiando” festas; eu amando.
É, somos, sim, joio e trigo.
E por isso também somos, sim, um casal perfeito.
Eu, sinceridade d’alma, não vivo sem ela.
Não sei a conta do meu banco, as senhas dos meus cartões, não sei quando pagar essa ou outra conta.
Solução, então? Vânia Leite, cara-metade-da-minh’alma.
Vou levando, esse tempo, então.
Viver será difícil, saudade tão grande.
Sorte a minha, que a tal tristeza nunca faz morada em minha vida.
Mas que dá uma saudade, dá.
É como se o chão faltasse.
E a rua perdesse a graça, a vida perdesse o rumo, eu voasse feito gaia de uma asa só.
Meu amor longe é o mesmo que eu estar, aqui, perdido na vida.
E... longe dela... o que é vida mesmo, hein?

Dançar com meu liquidificador

08/08/2010 às 11h19

Sou pai faz tempo.
Tempo grande, grande e triste.
A primeira vez que experimentei essa sensação foi graças a jornalista Eliana Lima.
Sabendo do meu coração vagabundo, Eliana, à época em Natal, eu em Mossoró, me ligou tristíssima.
Era véspera do Dia dos Pais e minha amiga havia acabado de conhecer uma velha senhora, faminta e abandonada pela vida, com seis filhos para cuidar, sem que soubesse de nada nesse mundo. Sem mundo, inclusive.
Dona Francisca tinha 56 anos de idade, aparentava 75 e acabara de ser mãe de uma menina. Desnutrida, cheia de feridas e com um tumor na cabeça, essa criança chegou na minha casa, a casa de Maura Galvão de Saboya, na Avenida Rio Branco de Mossoró, naquele Dia dos Pais de 1995.
Eliana me ligou antes.
Disse tê-la visto em Natal, ela pedia dinheiro para voltar para Mossoró.
Eliana ajudou com o que pôde e o que não pôde.
E deu meu endereço.
Foi amor a primeira vista. Eu, dona Francisca, aquele monte de filhos de olhos esbugalhados, barrigas inchadas e sorriso esquálido. Eram, juntos, uma das maiores expressões da dor.
Ainda Isabel, que Dona Francisca jurou-me repensar o nome e colocar Eliana...
Isabel-Eliana tinha todas as dores, todas as doenças que uma criança poderia ter.
Ainda assim, aquele Dia dos Pais, fui a Uniped, um hospital pediátrico que sempre atendeu aos “meus filhos” gratuitamente com consultas, remédios e amor.
Como sou grato ao médico Dix-Sept Rosado Sobrinho, por tantas vezes ter aberto seu consultório e me ajudado a salvar vidas.
Isabel-Eliana não tinha tanto tempo de vida.
E não teve, realmente.
Mas eu a cerquei de tanto amor, que seis meses depois, no verão de 1996, ela desencarnou, tenho certeza, o anjo mais feliz do mundo.
Até lá, arrumei um quartinho só pra ela. Com ar condicionado na velha casa da família, “presente” de uma das minhas festas. Careca, artista plástico, me deu dois quadrinhos... Silvana Escóssia doou lençóis, toalhas – fiz, como sempre, com que muitos abraçassem as “causas de Deus”. Até Shampoo, nosso fotógrafo à época, me ajudou com roupinhas de neném. O amor, minha gente, acreditem... contamina!
Foram, certamente, os seis meses mais difíceis da minha vida. Eu tão novo, um problema tão grande.
Mas Eliana, a mãe resolveu definitivamente chamá-la assim, se foi.
Para a sua família, dei amor.
Todos os meninos foram matriculados, arrumei um emprego para a mãe, os mantive de cestas básicas e amor até dia desses, quando, os seis, já se assumiram homens e mulheres na vida. Todos de bem.

Eu continuei, com os filhos de Kamila, uma antiga funcionária, a exercitar a tal paternidade, à época de seis crianças adoráveis.
E depois chegou Maria Geisa, uma pobre mulher que virou minha comadre, já que sou padrinho dos seus três filhos que têm, como ela... AIDS.
E chegaram Lurdes Maria, Noberto e João Maria, três filhos de pais que morreram de AIDS e que foram embalados, ainda meninos de 4 a 8 anos de idade, por uma avó sem rendas e por mim, meus amigos, tantas cestas básicas pedidas, por exemplo, mensalmente, ao advogado Marcos Araújo.
Nada disso transformei em tragédias. Exercitei o amor na maior das lutas. E venci todas as batalhas. As venço, diariamente.
As todas essas enfermidades, “meus filhos” sobreviveram. E hoje desenham seu lugar à vida.
Com Terezinha – e posteriormente Maria do Socorro, minhas poodles, filhas que são, experimento o fato de duas criaturas, criadas sob o olhar do mesmo amor, serem tão diferentes. É um aprendizado diário. E essas duas “meninas” são, sim, significados de pai e filhas em minha vida.

Hoje, meu Dia dos Pais tem outros sabores.
Valentina, fruto de um amor avassalador, verdadeiro e infinito entre eu e Keity é, sim, um presente de Deus.
Valentina nunca adoeceu. É de uma simpatia, de uma amabilidade... que emocionam.
Dorme a noite inteira, acorda sorrindo.
E “não” é entendido, o tal “sim” é rido.
Como é boazinha, nossa Valentina!
Ainda linda, inteligente como todo pai bobo diz por aí.
E se por um acaso acompanha minhas andanças da vida numa favela ou na casa de alguém que, àquele momento só tem a mim como prece, o faz tão tranquila, tão atenta e tão passional, que chega a emocionar, sua emoção diante do sofrimento – mesmo que muitas vezes não mostrado tão explicitamente assim por mim.
Fica estática, em prece, acredito.

Vivemos, então, como uma família feliz. A mais feliz do mundo.
Eu, Keity, nossas filhas Terezinha e Maria do Socorro e agora Valentina. Uma casa cheia de luz, de vida e amor.
E uma filha que, de tão feliz, dança ao bater de um velho liquidificador.
Como se aquilo fosse, de verdade, uma canção.
E é.
Para uma menina que, bem antes de nascer, bem antes mesmo, conseguiu entender o que realmente é o amar... escutar um liquidificador e dançar muito é, sim, sinal de que, na vida, nossas canções somos nós que escrevemos...

Sem tempo para olhar para o xixi

01/08/2010 às 12h54

Ando tão assim, tão sei lá, tão sem tempo pra nada...
Que adoeci.
Claro, nada sem importância. Aliás, a importância das dores, dos desamores e das doenças, dos males da vida e da vida... vão de acordo com o nosso querer.
Por exemplo: NADA ME ABALA. NINGUÉM ME ABALA!!!
A inveja não me pega, o mal olhado não me vê, as maledicências eu não ouço, quem me ama e escreve coisas meio assim comigo dá com burros n’água: eu não leio. E até a tal morte, para mim, tem outros significados.
Seja assim. Viver para olhar, ler, sentir o melhor da vida é uma das certezas que tenho sobre minha eterna felicidade.
E minhas eternas vitórias até quando... adoeço.
Antes de ontem, “inventei” uma infecção urinária. Sem tempo pra beber água e para fazer xixi – brinque não... nove festas no mês da APAIXONE-SE, minha festa anual, que ganhou esse nome por viver eternamente enamorado com o mundo – não é tarefa tão fácil assim.
Para se ter uma ideia básica... tenho festa terça, 3. Dia 4, em Mossoró. Dia 9, dia 12 e dia 13. A minha será dia 14.
Tem que ter pique!
Mas... eu não me acho o supra sumo da competência?
Então se lasque.
E me lasquei.
O xixi foi escurecendo, escurecendo... e eu não dei conta.
Se faço o número um, atendo a um telefone, anoto alguma coisa. Aí dou descarga, lavo as mãos e... passou.
Passou tanto que comecei a dar cabimento para uma dorzinha, acho que era no meu amigão.
Aí, antes de ontem... sangue!
Pronto! Menstruei!!!
Falta mais o que me acontecer?
E esse sangue?!
Rompi o que, aqui dentro?
Desespero?
Nenhum!
Os problemas têm o tamanho que a gente quer dar.
E para o Natal Hospital Center fui, lindo.
- Doutora, menstruei!
De cara, um riso farto. E uma energia boa em volta.
E um exame, infecção urinária já avançadíssima.
“Vou dar um soro, passar um antibiótico”.
- Rápido, preciso ir a festa de um amigo meu.
Ela riu novamente.
E assim foi.
Contei do meu tempo escasso, do desprezo dado ao meu xixi – foi, certamente, a mais animada e feliz consulta que a médica já havia feito.
Fiz tudo, comprei o remédio e fui para a festa.
E ainda fui feliz, revi amigos, voltei pra casa cantando.
E agora com uma certeza: jamais abandonarei meu xixi... tadinho.

A história de um anjo

30/07/2010 às 01h07

Essa bela história nos chegou por email.
É uma daquelas lições de vida que levamos para sempre no coração...
Uma senhora chamada Irena Sendler faleceu há dois anos (no dia 12 de maio de 2008), aos 98 anos de idade.
Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.
Mas os seus sonhos iam além... Sabia quais eram os planos dos nazistas em relação aos judeus (mesmo sendo alemã)!
Irena levava crianças escondidas em caixas sujas de ferramentas e graxa na parte de trás da sua velha caminhoneta.
Também levava ali, atrás do dirigir a vida, um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazistas, quando entrava e saía do Gueto.
Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar daquele velho viralatas encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.
Enquanto conseguiu manter esse trabalho, retirou, sozinha, com Deus, cerca de 2500 crianças salvas dos horrores nazistas.
Por fim os nazistas descobriram e a prenderam. Na tortura partiram-lhe ambas as pernas, pés e a prenderam brutalmente...
Depois de terríveis sofrimentos, sobreviveu. E terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido, reuniu famílias destroçadas, cravou seu nome na história.
A maioria dos pais havia sido levada para as câmaras de gás.
Para aqueles que tinham perdido pais e mães, Irina ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.
Mesmo passados mais de 60 anos desde a guerra, Irina permanece forte e viva na memória de todo um povo.
Quando lembrarem desse ajo, rezem a Deus. Agradeçam por essa luz.
E faça parte da história do mundo, escreva a sua sendo um ser caridoso...

Falso e desonesto

05/07/2010 às 00h07

Fiquei absurdado com a cena, que vimos ontem.
Coisa de 20h, ali ao lado do Natal Shopping, terra do nunca, se vende, a céu aberto, cerca de meia dúzia de “comerciantes”... CDS, DVDs e até bolsas Louis Vuitton.
E dois carros, de duas figuras da cidade, que posam de ricas, bacanas e com bom gosto, comprando, na maior cara de pau, uns DVDs e, acho eu, uns chaveiros Armani, com aqueles “Armanis” imensos, prateados.
Nada a ver.
Quem compra qualquer produto falsificado é conivente com o crime organizado nesse país.
E abraça regimes totalitários e tiranos como a China – onde cidadãos são tratados, até hoje, como escravos.
E trabalham em condições sobre humanas, e nada recebem – a não ser uma dormida qualquer, “um prato de quê”.
Vem de lá, na imensa maioria das vezes, esses produtos: roupas, tênis, sapatos, jóias, relógios.
Segundo uma italiana que faz sucesso em New York, quem compra produtos falsificados é... uma pessoa falsa. E pela metade, desconfortável diante do mundo.
Francesca Mindori vai além: quem compra produtos pirateados tem grandes chances de abraçar a desonestidade na vida.
Acredito.
Se, se apóia o crime, o contrabando, o tráfico... comprando o falso, o ilícito... se apóia também a desonestidade, claro.
E fica na cara. Por exemplo: quem não consegue distinguir uma bolsa Channel de uma mentira?
Como se percebe que não se percebe que, as falsificadas Louis Vuitton têm sua logo costurada – quando a real isso nunca acontece.
Aí ficam umas e tais por aí, desfilando essas bobagens como se a gente – e meio mundo não visse o que é real e o que é ficção.
Como comprar um CD pirata e... de repente não mais tocar?
O falso sai caro.
Caro para nosso bolso e... quem sabe um dia, caro para um filho nosso.
Não comprem, nunca, produtos falsificados.

A tal consideração

02/07/2010 às 09h21

O que é consideração, afinal?
Dormi pensando nisso, acordei pensando assim.
Existem dois caminhos fundamentais para fazer qualquer ser humano feliz: gratidão e consideração.
Os ingratos são, sempre, gente pela metade.
Os que não consideram também.
Portanto, gente assim, é gentinha. E não me cabe, nunca, sequer pensar, saber que existe.
A morte de um amigo me fez pensar sobre.
E pensei.
No que leva uma pessoa, por exemplo, a não ter consideração a outra? 
Por que o ser humano para festas e precisões sabe ligar, chegar junto e... na hora da dor, as costas virar?
Ou, muito cômodo: não tive tempo, não vi, não soube, não pude.
Existe uma frase que adoro cantar: nada do que me disser justificará.
Porque, na infinda maioria das vezes, as tais explicações são piores. Remendadas, mal dadas, sem amor.
E nada sem amor, sinto muito, me cabe também.
No caso da morte, a situação é pior.
Espera-se amparo, abraços, afetos. É que falta o chão e, muitas vezes, até um “reconciliação” cabe, que dirá um abraço, um telegrama, um telefonema que seja.
Considerar é ter o mínimo de respeito, também.
É amparar, é estar perto em todo lugar.
Quem considera repousa feliz. Não se amargura, acredite.
Quem considera conta amigos além dedos e mãos.
Quem considera não se desespera, nunca.
Quem considera encontra ombros, beijo, abraços.
Por isso, sempre, retorne ligações... retribua afetos, responda a e-mails, a mensagens de celulares. E agradeça, apareça.
Isso é, também, educação. Boa educação, aliás.
E, principalmente, não faça ouvido de marcador quando mais se precisa de você – e até quando pouco se precisa também ampare.
Lembre-se que os ingratos e aqueles que não consideram são, também, pessoas infelizes, envergonhadas, pelos cantos, olhos olhos longe dos olhos da gente. Não encaram.
E, sinceramente, não queira ter gente assim ao seu lado.
Nunca.
Os ingratos e os que não consideram são, também, atrasos de vida.

Triste história para contar

28/06/2010 às 21h05

Estava em Mossoró, última sexta, a caminho do enfadado jogo do Brasil contra Portugal.
Eu, Keity e Valentina deixamos o Hotel Thermas a caminho da casa de amigos minutos antes do jogo.
Na BR, ainda, de longe avistei um senhor caído no acostamento, entre matos secos e espinhos vivos... e uma moto, uma jovem com os olhos deitados por sobre o velho homem, uma cena que cortou a alma.
Decidimos parar.
Valentina, que balbuciava alguma canção certamente inaudível, parou.
E um clima tenso correu o carro da gente.
Estirado no chão estava um velho senhor, Francisco das Chagas, de 75 anos de idade.
A jovem, trêmula, pedia socorro.
- Encontrei ele assim, tremendo muito. Vamos ajudar!
Eu, olhos já cheios d’água, perguntei quem era, o que fazia ali, meio dia em ponto, calor insuportável...
- Meu filho, sou um homem de bem. Tô passando mal porque estou com muita fome.
Foi como se, ali, naquele momento, um mundo caísse sobre minha vida.
Perdi o prumo, o chão, abriu-se uma ferida em mim.
Saímos, eu e Keity, com nossa Valentina ainda quietinha como se entendesse a importância daquele momento, em direção a um posto de combustível.
Keity comprou água de coco, sanduíches naturais.
E voltamos para a BR, cruzamento com a Avenida João da Escóssia.
Ligamos, no meio do caminho para a Samu. Que chegou de pronto, sempre gentil e atenciosa. É, alguma coisa nesse Brasil há de funcionar. E a Samu funciona.
Lá mesmo, Seu Francisco comeu. Tão rápido, que em um minuto, não mais, havia devorado os dois sanduíches e dois copos de água de coco.
De repente, melhorou um pouco.
Tomou remédio dado pela Samu, com muita dificuldade ficou sentado.
Tempo o suficiente para receber o amparo de outro jovem. Um rapaz nos viu, parou o carro, uma caminhonete velhinha e ofereceu ajuda.
Na conversa ali, sol a pino, descobrimos outras.
Seu Francisco é viúvo, toma conta de três tias velhinhas e é muito pobre. Mora no meio dos matos perto de Natal.
Vinha do Aracati, Ceará, depois de organizar um roçado.
Mas não recebeu dinheiro por isso.
- O dono de lá desapareceu e eu passei três dias de muita fome. Como ele não chegava, decidi vim imbora. E saí de Aracati faz uma semana. Andei muito a pé, peguei carona em carroça, em caminhão até chegar aqui...
Seu Francisco não tinha um dos pés, o esquerdo. É diabético, se sustentava numa velha muleta remendada com fios e cordas.
Tinha, àquela hora, a total expressão do desespero, do abandono.
“Sem comer há quase uns dias, encontrei um saquinho de farinha perto de um posto, antes de sair de Aracati – explicou para a Samu, com muita dificuldade ainda.
“E fui comendo as hora que deu”.
O mundo cheio de tantos ruins, seguiu seu curso.
Seu Francisco melhorou. Era fome, realmente.
A fome que mata os Brasis – enquanto políticos corruptos correm a vida, num curso na contra mão do bem, do bom, do razoável.
O coloquei no ônibus, de volta para Natal.
Antes disso, os dois jovens, aqueles que pararam ao lado de Seu Francisco, na BR, sol tão quente, rasparam as carteiras e deram, juntos, uns vinte e poucos reais. A cena me comoveu.
Eu também raspei minha carteira. Dei tudo o que tinha – até na hora de ajudar, temos que ser exagerados... ainda umas roupinhas, que sempre as levo no carro... Mas ele vestiu uma camiseta de Stanley Carlos, filho de Socorro Carlos, para onde corri, deixei minhas mulher e filha e corri novamente para seguir meu abraço em Seu Francisco.
Antes, ainda, lhe dei um banho, na rodoviária mesmo. E chorei por dentro, penalizado, arrasado com a história daquele pobre homem brasileiro.
E passei sobre a velha pela carcumida de sol, lavanda Johnson, sempre as levo no carro.
Ele foi.
Talvez nunca mais o veja.
Mas jamais esquecerei daquele velhinho lindo, sofrido, tantas histórias para contar... e uma vida como tantas outras, ao relento do mundo.

Sou feliz e canto

10/06/2010 às 23h35

Tenho pensado, muito, na minha felicidade.
De como Deus sempre foi condizente – cúmplice meu.
E de como continua sendo.
Aliás, hoje, mais do que nunca.
Sou realizado desde sempre, na minha vida que, tinha dezesseis anos de idade quando decidi, lembro-me bem desse dia, iria tomar as rédeas do meu destino.
Estávamos, eu, meus amigos Kaú e Leonardo, na praia do Leme.
Sei lá porque, estava meio triste.
Uma gaúcha. Eu doido por ela, ela nem aí.
Aí, quando ela quis, estava eu apaixonado por Raquel.
Fiquei mal, à época. E pensando com Jonh Costilll, na bifurcação da vida.
Desse história trago, até hoje, todos eles.
Vez por outra um olá.
Mas sempre boas lembranças para recordar.
Ontem nos falamos. Eu e Renata Sodré Mourão, a gaúcha que mora, hoje, com os filhos nos Estados Unidos, onde é consultora de uma empresa imobiliária.
Rê estava tristinha.
Separou-se de um marido que, sempre disse, não era o cara.
Pena ela ter passado 17 anos para entender.
Choramos um tanto, saudosistas que somos.
E falamos sobre aquela tarde, no Leme. Ela atrás de mim, eu dando um fora, os meninos pegando onda, Raquel chegando e flagrando uma discussão.
Aí... rimos.
Deus é, sempre, muito bondoso.
Até quando nos faz chorar, Deus grita pra gente se tocar, repensar, melhorar. Uns entendem seus recados.
Mas temos que fazer a escolha certa. Não em relação a mulher, a homem.
Mas em relação ao mundo.
Para que continue a nos guiar, é preciso entendermos seus conselhos.
Ouvidos sempre abertos, olhos a frente do coração.
Deus está a todo instante, nos mostrando que caminho é melhor percorrer.
Eu, desde moleque, soube que seria especial, no mundo, o lugar que Deus me deu.
Poderia estar na Globo – e certamente estaria, já que talento para interpretar sempre tive.
Seria ator, certamente.
O Tablado e a Casa das Artes de Laranjeiras, de onde saí formado aos 18 anos de idade - meus mestres, o Damião Carlos Wilson, e a russa Dina Moscowith... sempre disseram que seria.
E depois o Colégio de Belas Artes...
Mas conheci Keity num circo, em Mossoró.
Eu acabava de chegar para umas temporadas de férias do Rio.
Aí meu coração olhou estranho pra ela.
Eu Carioca; ela filha de juiz.
Eu de bandana no pescoço, macacão branco, ouvindo Cazuza... ela, cabelo pós moderno – mas caretinha.
Aí começamos a namorar. Isso 18 anos atrás.
E nos apaixonamos, desde então.
Noivado, casamento lindo, Valentina. Temos uma história só nossa. E linda.
Larguei tudo no Rio, um futuro promissor, a vida das artes que, certamente que sim, seguiria.
Mas foi Deus, me mostrando outro horizonte.
E me joguei.
Se me arrependo? Nenhum pouco.
Profissionalmente me realizei. Sou muito bom no que faço (não sou afeitos a modéstias), faço diferente e melhor e faço com... amor. Cada projeto que me envolvo é uma descarga infinda de amor.
E aí vou dando certo no mundo.
Leio muito, corro atrás, fico sem dormir. Pago preços altos. A inveja, por exemplo. Mas não me incomodo. Não ouço, não leio, não frequento, esqueço.
E venço.
Os invejosos, aqueles que falam bobagens a nosso respeito, gostariam de ser a gente. Nos amam. Mas... não conseguem, aí viram inveja.
Não tenho tempo para perder com o menor da vida.
Ralo muuuito, horas na frente do computador, pré-festas, festas (as melhores e mais criativas) pós-festas: é tudo muito, na minha vida.
Com isso... tenho certeza. Olho para trás e vejo que fiz a escolha certa.
Que trilho o caminho do bem.
Que ouço.
Que nada me detém, nenhum mal me pega, ninguém me derruba.
Desde moleque aprendi assim.
A escolher e a seguir.
Desde muito jovem decidi ser feliz na vida.
E assim vou eu – o homem mais feliz e realizado do mundo.

Eu e a morte

18/05/2010 às 01h01

Tenho me visto, vez ou outra, pensando na morte.
Calma! 
Isso nada tem a ver com assuntos depressivos, tristes, fim.
Pelo contrário.
A vida, que tem me levado pessoas tão queridas ultimamente... me apresenta, também, a morte de outra maneira.
E, se é que é possível, da maneira mais lúdica que existe.
Nunca tive medo da morte.
Já tive medo de alma. Tenho medo de avião.
Mas morte não, nunca me assustou.
Talvez por acreditar, desde sempre, que a morte é um recomeço, ou um começo de algo melhor.
E se aqui só plantei o bem – e ra-ra-men-te fiz mal a alguém, naturalmente que serei apresentado à morte de uma forma sublime. Ou terna, acredito.
Fato é que não tenho medo.
Claaaaaaaaaaaaro... adoraria ver minha filha crescer, minhas cachorras alegrando minha casa e passaria o resto das minhas vidas beijando Keity.
Mas se ela vier – e virá um dia, virá na sua hora.
Não adianta questionamentos, sofrimentos.
Talvez saudades, mas tristezas nunca.
Morte, minha gente, não combina com tristeza.
É uma passagem para algo melhor, é vida do outro lado do horizonte.
Medo? Não tenha. Encare-a.
E verás que morrer – ou desencarnar, como prefiro chamar, é, só, um chamado de Deus.
E tudo sabe, nosso Pai.
Sabe quando nascemos, que horas e porque vamos.
Inveja, ódio, guerras, gente má, fome, a AIDS dizimando a África, as focas inocentes mortas a pauladas no Canadá, os políticos corruptos, as crianças abandonadas, os velhos em azilos, a injustiça social – isso sim mete um medo danado.
É ruim, é profunda e verdadeiramente doloroso.
A morte... não!
Sempre que lembrar-se dela... lembre de Deus, seu abraço num recomeço cheio de luz para sua vida. Sua nova vida...

Os negros albinos da África, rezemos por eles

02/05/2010 às 20h40






Existem muitos abismos no ser humano.
Um, hoje, me veio à vida.
Desde que li sobre os órfãos da AIDS de Uganda, a África, sempre tão absurdamente impiedosa com suas gentes, não me sai da cabeça.
Sobre o Albinismo, do latim “ALBUS”, que significa branco, é uma condição genética herdada, caracterizada pela ausência de melanina na pele, nos olhos e no cabelo.
E assim várias raças são afetadas no mundo.
Mas na África... ah, pobre África, a dor é outra.
A mais pura ignorância, da superstição e do preconceito social incrível, tornam os albinos africanos pessoas marginalizadas e prisioneiros dos que acreditam que certas partes do seu corpo trazem boa sorte.
Logo após o nascimento, essas crianças são rejeitadas.
Pais, muitas vezes, jogam-nas no lixo. Simples assim.
E as mães são responsáveis pela condição fragilizada da criança.
Muitas, acreditem, são apedrejadas.
As pobres crianças nascem muitas vezes ao vento da sorte, ao sopro da piedade.
E têm dificuldades no aprendizado, não enxergam o quadro negro. Professores e colegas os discriminam e insultam essas crianças.
Encontrar trabalho é difícil. Adultos, seguem marginalizados, à margem do mundo, no submundo da vida trôpega.
Sofrem problemas de visão e o sol africano inclemente lhes causa sofrimento, úlceras, câncer, queimaduras, morte.
Não é fácil ser albino na maioria dos países africanos, muitos dos quais, particularmente nas zonas rurais, explicam a sua falta de pigmentação por uma maldição que paira sobre a família.
Existem mais albinos na África do que em qualquer outro lugar no mundo, vê que “impiedoso é Deus”, às vezes.
Enquanto na Europa a taxa de albinismo é de um para cada 17.000 pessoas, na África chega a 2.000 ou 5.000, dependendo do país.
Uma em cada 10 pessoas é portadora do gene.
Eles dão “peças cobiçadas” pelas bruxas.
As pernas, os braços, pele, língua e cabelos de albino valem milhares de dólares.
Os curandeiros os utilizam para “curar doenças” e para prometer fortunas. Uma das crenças africanas mais arraigadas garante que se você beber o sangue de um albino vai ganhar muito dinheiro.
E por isso que organizações internacionais abriram acampamentos especiais, onde os negros albinos podem viver com maior segurança.
O governo da Tanzânia proibiu o curandeirismo, para impedir a caça de mais albinos. Mas a questão é... o que acontece no resto da África?
Algumas ONGs estão trabalhando muito para chamar a atenção para estas redes criminosas.
Feliz a nação cujo Deus é o Senhor!
Vamos formar uma corrente de preces, espalhar essa dor, fazer com que Deus mude-se, com todos os anjos, para a África.
Que não precisa de uma Copa do Mundo...
Precisa de ajuda, de abraços, de dinheiro para erguer-se grande.
Deus ampare essa gente.
Que a gente, longinquamente... ama. 

Com informações do Livro "Negros Albinos".

Você sabe o que é o amor?

24/04/2010 às 18h37

Cantídio, Clara e Carla: exemplo

Thiago, Karla Lopes, Rafaela e Aldir Araújo: exemplo

Duas famílias me tocaram o coração, nestes dias de outono.
E fiquei aqui pensando como escrever sobre Cantídio Neto e Carla.
E sobre Aldir Araújo e Karla.
Quatro pessoas que admiro desde a alma...
Que, vê que interessante, canta quando os vê.
Sempre quis, para minha vida, uma “vidinha medíocre” – aqui, licença ao poeta Arthur Rimbaud...
“Meus fogos me comem a alma
Me atropelam a calma
Me levam para o fundo
Mas na verdade o que sempre quis foi ser medíocre
Ter casa, família amada, e um cachorro para passear no final da tarde”.
“Medíocre”, aqui, tem outros sentidos.
Sentidos de paz, sensação de vida mansa, de vida boa, de cumprimento, sei lá, aos desígnos de Deus.
Cantídio Neto, dileto amigo, sempre foi uma fonte de inspiração. Bem casado, homem correto, íntegro e dono de uma família abençoada.
Aldir Araújo também. Tal e qual.
Sempre achei, muitas vezes quieto no meu canto, esses dois, dois exemplos de hombridade.
Acho bonito quem é assim.
E sigo.
Cada um com dois filhos. E cada um dos filhos tão especiais quanto.
Num mundo onde famílias são jogadas de janelas – ou mortas por filhos, pais e mães, gente assim é uma benção, um presente de Deus.
Esses dois casais são.
Ainda pessoas do bem, herança de famílias do bem, de gente honrada, gente sã.
Sempre quis dizer isso aos quatro.
Mas as vezes falta tempo, o vento leva, a gente deixa pra lá.
Culminou com os 15 anos de Maria Clara e Rafaela – um dia atrás do outro, noites e noites atrás, filhas de Cantídio e Carla, de Aldir e Karla.
Fui as missas, as festas. Adorei ter vivido aqueles momentos, ter me emocionado junto, ter chorado junto, ter rido junto!
Aí eu usei as meninas, lindas e afetuosas, para declarar amor a quem, como Cantídio e Aldir levam, no punho firme e no sorriso farto, a verdadeira obra de arte de se criar... uma família.
Viva vocês!

O Brasil da Copa do Mundo, das Olimpíadas e de políticos irresponsáveis

08/04/2010 às 00h22















O Brasil da Copa do Mundo, das Olimpíadas e de políticos irresponsáveis
Todos sabem do meu amor incondicional pelo meu Rio de Janeiro...
Mas ando, sinceramente, revoltado.
Com o que se vê na imprensa, a morte gritando, mais de 150 vidas ceifadas e um Estado que de laico não tem nada, comandado por senhores feudais, surreais.
O Brasil, meus caros, padece.
O povo brasileiro padece.
E o Rio de Janeiro, terra mais linda do mundo, chora.
Quantos absurdos!
Quantos governos passaram e nada fizeram!
Quantas obras em vão, demagogias e cães nas cenas de tantos doutores políticos que... nada fizeram!
Quanta dor!
Até quando vamos nos deparar com cenas absurdas como essas?
Como é que um país, que vira isso que vocês acabaram de ver... se permite querer Copa do Mundo, Olimpíadas?
Que competência o Brasil tem para tal?
Por que não arrumar a casa, dar comida, casa decente, educação para essas gente todas, sobreviventes de esmolas como as “bolsas” do governo federal.
E essas vidas, quantas vidas ainda morrerão em vão?
Quantos políticos ainda colocarão dinheiro em pastas, meias, cuecas?
Rezem belo Rio, pelo Brasil.
Já que votar, vocês não sabem.

As fotos, que cortam nossa alma, são da Uol...

A Páscoa pelo avesso

05/04/2010 às 08h35

Não é mais assim.
Aliás, na imensa maioria das vezes, Deus ficou de lado, a margem, esquecido do mundo.
E certamente por isso também, o mundo já não é lá tão mundo assim.
Sobre a Páscoa, nossa conversa de hoje.
É que andava tão travado, ainda tão ressentido pela partida no meu amigo Rodney, que perdi a vontade de escrever, por uns dias, meus devaneios de Paz de Chrystian.
Voltando à Páscoa, minha decepção.
Sempre é uma Semana muito querida, a Santa de Jesus Cristo por sobre minha vida.
Primeiro porque relaxo do mundo, sumimos do mapa e repensamos um punhado de coisas.
Mas dessa vez foi diferente. Foi mais feliz, graças à Valentina... e mais pensativa, graças ao pobre mundo em que vivemos.
Passamos uma semana inteira no Tibau. Casa linda, cheia, amigos tempo todinho e as duas festas que fizemos, “A Páscoa da Valentina” e a “Paixão de Chrystian”, nasceu com o objetivo maior de arrecadar... SOLIDARIEDADE.
E não pensem que sou um santo, por isso. Nem que faço isso para “aparecer”.
Já apareço mesmo, sem subterfúgios.
E santo nunca quis ser.
Mas se tem uma caminho que não me privo nenhum dia da minha vida, é o tal caminho da solidariedade. E acredite, por isso, principalmente, vou brilhando na vida...
Conseguimos, com a Páscoa da Valentina, arrecadar 227 Ovos de Páscoa, todos doados ontem mesmo, na pobre e abandonada Tibau.
Com a Paixão de Chrystian, um jantar bem ótimo, arrecadamos 132 quilos de feijão, era o “ingresso”.
Uma forma de reunir queridos, festejar a vida e fazer o bem!
Mas o mundo, aquele, segue pior, agonizante.
Numa casa perto da minha, umas sessenta pessoas se “divertiram”.
Churrascos de quinta a sábado, passando pela Sexta Santa... e forrós insuportáveis, moças dançando sobre mesas, bêbados por todo lugar. E muitos palavrões.
Que pensamento Cristão tem pessoas assim?
Na pobre cidade do Tibau, o prefeito foi cassado em plena a Quarta de Trevas. E teria sumido com mais de 150 mil... em plena Semana... Santa!!!
Festas? Muitas! Dane-se Deus!!!
Forrós, bares cheios de bêbados, coisa e tal. Música, bebedeira, fins.
De verdade, Deus deve estar decepcionado.
Porque a Semana Santa tem outros valores, outros senões, nestes mundos de tão pouca fé, de tão poucos inteligentes e gratos aos céus.
O mundo esqueceu, se foi.
E tome porres homéricos, tome falta de preces, de Deus. Acho que sequer rezar, gente assim sabe...
No Domingo de Páscoa, enquanto distribuía Ovos de Chocolate entre Tibau e Grossos, bares abertos, som nas alturas, mulheres sem vestes e crianças ao redor.
Ainda cruzamos com dois motoristas: carros cheios de crianças e... direções alcoolizadas.
O mundo perdeu seu prumo, seu rumo na história.
Por isso, tantos com câncer, tantos deprimidos, tantos pais sem noção dos seus filhos, a droga correndo a vida, tantos fins.
E a natureza revoltada, as pessoas esquecidas e a vida tão cúmplice do ponto final.
E...
Numa casinha de taipa paupérrima, perto de Marismar, dona de um restaurante simplinho que fica na Barra, em Grossos, minutinhos do Tibau, deixamos uns ovos.
E o espanto de uma menina de olhos fundos e esbugalhados, barriga imensa, amarelinha... resume bem tudo isso aqui.
- Linda, um Ovo de Páscoa para você.
- Ovo de quê?!
- De Páscoa, de Chocolate!
- O que é isso?!, gritou a lânguida menina de dez, onze anos de idade.
- Quem mandou?, disse a pobrezinha já com um discreto sorriso nos olhos.
- Foi Papai do Céu!
- Ah, sim! Estava agora mesmo rezando, conversando com ele...
A mãe, presumo eu, chegou perto daquele carro grande, já agradecida. Trazia uma Bíblia nas mãos e nos deus uma prece.
Era o Salmo 23, meu preferido.
“O Senhor é meu Pastor e nada me faltará”...

Meu amigo Rodney

09/03/2010 às 22h18

Rodney e Ilnahra: a vida foi viver noutro lugar

Foi no amor da sua mãe, Lizete Andrade, que nasceu a nossa amizade.
Era uma festa, meus cinco anos como colunista de Mossoró no jornal Tribuna do Norte. Estávamos, eu e Lizete, na cozinha da festa, conversando, rindo de alguma coisa que agora não me recordo.
Rodney chegou. Ainda era noivo de Ilnahra, que o acompanhava, linda, sempre linda.
A festa se chamava Très Chic – certamente a mais “rica” que, àquela altura, Mossoró havia visto.
Exageros como perfumes franceses em toaletes lindamente arrumados; Faisão, Arroz Selvagem (uma novidade, 15 anos atrás), arranjos lindos de rosas vermelhas, muitas, coisa de 5mil botões. Era (mais) louco, à época.
E no meio disso tudo estava um dos grandes amores da minha vida, a Fada Lizete, mãe de Russel, Rodney e Renata.
E Rodney chegou manso, de cara estirou a mão.
E agradeceu o carinho que sentia por sua mãe.
- O que você faz por minha mãe é muito bonito. Disse, segurando o menu da festa com o nome do Maison Buffet, marco nas festas das terras de Santa Luzia.
Sempre curtimos, eu e a minha Fada, um certo ciúme que rolava nessa longínqua relação. Apesar da idade se aproximar, de sermos praticamente vizinhos em Mossoró, nunca fomos tão amigos assim.
Até aquela noite, sobre os trilhos da velha estação de trem erguida pela coragem e ousadia dos Saboya, cem anos atrás.
Àquela noite, senti, ficamos amigos para sempre.
Quando Rodney se casou com Ilnahra, o primeiro filho, a vida que seguia... estávamos sempre juntos de alguma maneira.
Nunca fomos de nos ver sempre. Mas sempre que nos víamos era uma festa.
- Diz cara!
Quando decidimos casar, eu e Keity – eu, principalmente – fui ao Maison Buffet um mar de vezes.
Lizete era, antes de tudo, uma lembrança terna da minha mãe, que morava no Rio de Janeiro; uma confidente junto com Goreti (Modas) Bessa Viana.
E lá, no seu escritório pequenino, conversávamos sobre tudo.
Àquela época, os meses que antecediam meu casamento, em 2001, só falávamos sobre esse “grande” acontecimento.
E muitas vezes dizia, rindo.
- Não, Fada, isso já teve no casamento de Rodney.
- Teve no casamento de Rodney? Quero não!
E isso virou uma piada secreta, dita sempre para aperrear minha Fada.
Quando casei, como todas as grandes festas da minha vida, meu casamento foi no Maison Buffet.
Lizete disse que seria impossível ser madrinha ao lado de outro querido, seu marido Renato Andrade, com uma festa para mil convidados acontecendo na sua casa de recepções.
Foi aí que tive a ideia de chamar Rodney e Ilnahra, como forma de homenagear Renato e Lizete.
E meus amigos foram nossos padrinhos de casamento...
Rodney sempre foi um lutador. Ah, Deus!, e como lutou na vida.
Morou no Rio de Janeiro, correu atrás do sonho. E venceu.
Conversando com Alexandre Capistrano, amigo nosso, a caminho do Aeroporto Augusto Severo quando fomos buscar Renato, Lizete e Russel, na trágica noite do acidente, ele disse... “Mesmo quando fazíamos uma grande farra, Rodney acordava cedo, ia estudar. Não perdia uma aula, um curso”.
Russel chegou a dizer, saudoso do irmão, na noite do penúltimo adeus, quando chegou em casa após o sepultamento.
- Rodney viveu tudo com muita intensidade. Tudo vivido era ao extremo, exagerado. Estudou muito, viveu muito, muita vida”.
Outra característica de Rodney, a tal intensidade.
Que quando cheguei em Natal, dez anos atrás, já era médico afamado, respeitado, aplaudido.
Era um homem de bem, íntegro, que venceu a custa de luta árdua, de trabalho incansável.
Ligou para mim quando foi escolher o nome do maior salto que deu na vida.
- Hospital da Visão, o que acha?
Adorei, disse, á época.
Quando Valentina nasceu, lá estavam os dois, sempre juntos, um só, em minha casa.
E assim vivemos, amigos verdadeiros.
No dia da sua viagem, estava organizando um evento quando meu telefone tocou insistentemente.
Tanto, que me vi sem chão, loguinho.
Resolvi atender Cantídio Neto, amigo do peito, que em voz trêmula pedia para eu checar se aquela notícia, do acidente de Rodney, era verdadeira.
Era.
Uma verdade sem dó, nem piedade, que atravessou a alma de todos nós. E parou tudo, nenhuma festa, vontade de nada.
Corri para casa, peguei Keity e fomos, sem dar uma palavra, para o Hospital do nosso amigo.
Encontrar dois amores nossos, Nevinha Gurgel e Ilnahra de Rodney, naquela situação, nos matou um tanto também.
E o resto da história todo mundo já sabe, sentiu.
Para os seus, que aqui ficaram, nosso amor em forma de abraços sinceros.
Para Rodney, que se foi, a certeza de que seu legado ficou.
Nas pegadas de Renatinho e Heitor, que como seu pai e sua mãe serão, também, homens de bem, d’alma boa, coração sem tempo de acabar.
Está escrito nas estrelas – e uma delas, vê que lindo, se chama... Rodney.

Suiça, a primeira parada

01/03/2010 às 07h07

Tudo congelado, até a água da Fonte da Vida, no Centro de Zurich

Torre da Grossmunster: 870 depois de Cristo

Escola de Zurich: Churchill e a unificação da Europa

Winston Churchill, em 1948: premonição

Jardins alugados durante a primavera: curiosidade

Paisagens em branco e preto

O Parque do Lago Zurich: neve a perder de vista

Neve, neve, neve...

Nunca fui lá tão fã da Suíça
Um país meio gélido, sei lá.
E não me refiro aos dez graus negativos que ali pegamos, nem as fontes da cidade jorrando gelo... Mas sempre achei a Suíça um país de alma pálida.
Mas... andei mudando de perspectivas e visões após uns dias em Zürich.
Linda, tem como maior bandeira a liberdade.
E gentes livres, outros horizontes.
Soube, por exemplo, que na Suíça um questionário é enviado, a cada dois meses pelo governo, acerca dos anseios do seu povo, para a população.
Aí se responde que sim, que não.
Aí os governantes criam leis, alteram outras, por aí vai.
Uma democracia direta, clara, nada escusa.
E passear por Zurich vale a pena. O povo é amabilíssimo. E extremamente educado.
A mulher ao lado da calçada, o homem ao lado da rua – como canta a boa educação desde que me entendo por gente.
A mulher sempre na frente, essas coisas lindas de se ver, de se viver – e que fazem toda a diferença.
Cotovelos sobre mesas? Jamais!
Ah, e como é bom gente educada.
Não se vê lixo no chão, restos de cigarro, coisa e tal. Aff! Como fumam! A tal lei anti-fumo, cantada aqui no Brasil, lá ainda não. Os restaurantes, por exemplo... todo mundo fumando junto...
Em Zürich visitamos a "Grossmünster" (igreja grande), que no comecinho abrigou um convento, construído por volta de 870 DC.
A catedral foi construída (entre 1100 e 1220), as margens do Rio Limmat.
Durante a Reforma Protestante, o reformador Huldrych Zwingli conseguiu retirar da igreja, em 1524, seus altares e outras imagens religiosas – a ideia, à época, era aproximar a vida dos fiéis da vida de Cristo. Portanto, todas as ostentações foram retiradas das igrejas.
Mas foi lá por 1969-1970 que a Grande Igreja ganhou vitrais deslumbrantes de Marc Chagall, um russo de alma linda – francês por opção -, arte viva e vida pulsante, que marcou época na história das artes pelo mundo.
Ver seus vitrais foi uma emoção, foi mágico, emocionante.
Ali ao lado, outro marco. Uma pedra representa um discurso que Winston Churchill proferiu, em 1948, pela unificação da Europa.
Numa época em que nunca se imaginava a tal – e benéfica – União Européia.
Passear pelas ruelas ao seu entorno, seus antigos cabarés e um cafezinho à margem do Rio Limmat é uma delícia.
Outro passeio imperdível é pela estação de trem.
Um prédio fantástico de 1871, assombrosamente gigantesco, com gradios assinados por mestres como Vitranz Gurchè é a maior de toda a Suíça.
Flores, gente correndo, muitos fumando – e restaurantes di-vi-nos ao redor fazem dessa parada um passeio imperdível.
Também pelas ruas, sem prumo, sem rumo na vida, entrando e saindo de paisagens ora antiqüíssimas, ora modernas por demais.
Mas existe um tal de "Altstadt"- Cidade Velha, onde as ruas íngremes de paralelepípedos, as casa antigas e os pubs conferem um ar meio blasé à cidade.
Como a famosa rua Niederdorfstrasse, que parece estar sempre em festa, com seus vários restaurantes, tailandeses, portugueses, franceses, italianos.
Uma curiosidade. Como a cidade tem construções com pouco espaço - pelo menos em se tratando de uma classe não tão abastada assim, muita gente aluga... jardins. Era inverno, na nossa estadia e os jardins estavam cobertos de neve.
Bem... Foi bom mudar de opinião. Linda, essa Zürich. 
Fotos de Chrystian de Saboya

O carnaval, uma cidade fervente, uma Catedral belíssima, Beethoven para finalizar...

01/03/2010 às 07h06

Freiburg: assim chegamos a Alemanha

O Martinstor: Século XIII

Freiburg: cidade linda, secular

A igreja de Freiburg: obra de 1200 a 1350, estilo gótico, 115m de altura

E a Floresta Negra ao fundo: neve por todo lugar

As Lendas de Alice, em plena Freiburg...

Em Freiburg: no carnaval vale mesmo é fantasiar-se

Carnaval de Colonia: maravilha de gente, jovialidade e... aff, como gritam!

A Catedral de Colônia: 600 anos para ficar pronta

Caterdal de Colônia: renda

Um dos altares: Paixão de Cristo

Os vitrais... boa parte a Segunda Guerra Destruiu

Restos MOrtais dos TRês Reis Magos: emoção à flor da pele

Beethoven: por todo lugar, claro!

Münster Cathedral: monumento datado de 1150

O centro de Bonn: tudo lindo, limpo e, surpresa... um amarelão

A última imagem de Bonn: nevasca

O GPS gritando, a neve caindo... e a gente segue a vida

 

Beethoven (e não Bethowen)
Van Gogh (e não Van Gohg)

Foi em Colônia, na Alemanha, que passamos um carnaval maravilhoso.
A cidade é a quarta maior da Alemanha, e a maior do estado de Renânia do Norte-Vestfália – uma das mais felizes também.
Deixávamos para trás, naquele sábado de carnaval, Freiburg, uma cidadezinha cravada ao Sul da Alemanha, onde Keity visitou o Instituto Max Planck de Direito Criminal – o centro de ciências criminais mais importante da Europa.
Aliás, que cidade linda! São, certamente, os mais simpáticos dos alemães. Nada de sisudez, caras trombudas, abusos só os meus.
Um frio maravilhoso, dez graus abaixo de zero, eu acho. Muita neve... e um carnaval animadíssimo. 
O folclore popular nos ensina que Freiburg é a cidade mais quente e ensolarada da Alemanha. É verdade, apesar do frio latente que enmcontramos ali.
Aos pés do rio Dreisam, a cidade é cercada por montanhas. Ali foi travada, em 1644, uma das batalhas mais cruentas da Guerra dos Trinta Anos, vencida pelos marechais franceses Condé e Turenne. 
E o Carnaval dali? Uma animação sem fim. Muitos jovens no meio das ruas. Na sexta-feira de carnaval jantamos num restaurante maravilhoso, bem alemão e... garçons, fregueses, todos dançando horrores.
Bem, falando em carnaval... pegamos o carro e fomos para Köln – assim se escreve Colônia em Alemão...
O carnaval?
Bem, as pessoas se fantasiam e vão para o meio das ruas. E se encontram, se abraçam. É uma maravilha e basta ter dez toes de bom humor para amar.
Na Estação de Trem Central, cercada de teatros, bons hotéis e restaurantes bem ótimos, mil trens por dia chegando e se indo...
A sua volta, uma festa sem fim. Cultura pulsante, desfile de carros alegóricos, uma parada que dura 7 horas maravilhosas...
Mas o mais belo estava por vir.
A Catedral, em alemão Dom, levou 600 anos para ficar pronta. Só a sua história já emociona, dói n’alma.
A construção da igreja gótica começou no século XIII (1248). Tem duas torres imponentes, com mais de 157 metros de altura.
Quando foi concluída em 1880, era o prédio mais alto do mundo. 
A catedral é dedicada a São Pedro e a Maria.
Foi construída no local de um templo romano do século IV – onde é possível, acreditem, ver os restos em pedras monumentais.
Na Segunda Guerra Mundial, a catedral acabou recebendo muitos ataques das Forças Aliadas... mas não caiu; a reconstrução foi completada em 1956.
Alguns vitrais foram destruídos, e estão lá, a mostra, outros, de renomados artistas plásticos do Pós-Modernismo.
No interior da catedral está guardado o relicário de ouro com os restos mortais dos Três Reis Magos Baltazar, Melchior e Gaspar – outra grande emoção, um abraço na minha cidade Natal, saudades do mar, do sol que, àquele dia, fazia mais de dez dias sem aparecer, tamanho o torrão de nuvens nos céus.
Colônia tem 31 museus, entre eles a destacar o Museum Ludwig (Arte moderna e contemporánea), o Wallraf-Richartz-Museum (Arte do medieval até o século XIX) e o Römisch-Germanisches Museum (Artesanato da época romana), com varias construções subterrâneas da época do império romano. Todos são muito bons, super ilustrativos e cheios de curiosidades. Existe ainda o Museu da Cidade, onde conhecemos a história dali... lindo, emocionante!
Na Alemanha ainda fomos para Bonn.
Que foi, num passado não tao distante assim, a capital da República Federal Alemã entre 1949 e 1989.
Atualmente em Bonn permanecem algumas embaixadas e algumas estatais alemãs como a Deutsche Welle, a Deutsche Telekom... aff!, os nomes são sempre complicadíssimos ali. 
Beethoven nasceu em Bonn, em 1770. E a música está ali, presente em tudo. Por exemplo nas paradas de ônibus, onde a música de Bethowen é obrigatória – não é o máximo?
Ou no Bistro... (que diferente do que acreditávamos... é uma palavra alemã, e não francesa. À época da Segunda Guerra, quando a Alemanha invadiu Paris, os soldados alemães se referiam a ‘bistrot’ como todo aquele lugar com refeições rápidas).
O Bistrt Cafe da Deutsche Post, onde almoçamos certo dia olhando para a atriz Elizabeth Hunt. Amei aquele climão, a comida divina, essa aura européia.
Nos despedimos da Alemanha... 
Eu, naturalmente, me achando.
Fotos de Chrystian de Saboya

O amor, a dor do nazismo e uma cidade encantadora

01/03/2010 às 07h04

Love. Simples assim.

Uma cidade de que salta aos olhos

Azuleijos do Século XV: visão que encanta nos velhos prédios da cidade

O Canal Veiringer: vista todos os dias, ao amanhecer

Arquitetura do século XVI, XVII... por todo lugar

A Casa de Anne Frank: silêncio, nó na gargata, nunca mais

Anna Frank, em postais vendidos pela fundação que leva seu nome: perpétua

Plaquinha da Casa Anne Frank: para ela, todas as nossas homenagens

Holanda foi o país onde mais passamos tempo, dessa vez.
Andamos suas quatro maiores cidades (Amsterdam, Denhaag, Ultrech e Rotterdam), percorremos caminhos inversos, fomos felizes... e Amsterdam gamou geral.
Que lugar lindo!
Fundada em 1275, a cidade é de um charme sem igual.
Cercada por canais, com mais de 1.500 pontes, pontezinhas e passadeiras, a cidade tem canais por todo lugar...
Mas antes disso, uma dor infinda.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha invadiu os Países Baixos no dia 10 de maio de 1940 – e esse trauma está por todo lugar.
Os nazistas tomaram o controle do país depois de cinco dias de luta sangrenta, mar de sangue, outras mortes.
Os alemães instalaram um governo civil nazista em Amsterdam, que se encarregava da perseguição aos judeus.
Os neerlandeses que ajudaram e protegeram as vítimas foram também perseguidos. Mais de 100.000 judeus foram deportados a campos de concentração e a cidade esvasiou-se numa imensa dor.
E é sobre essa dor que falamos agora...
Entre os judeus, Anne Frank.
A menina que refugiou-se com a família, pai, mãe e irmã e outro casal com um filho pequeno num sótão de Amsterdam e transformou sua história num livro tristíssimo, tem, hoje, um museu só seu, à Rua Prinsengracht, à margem do Canal Frank, como chamam os moradores dali.
A velha casa onde morou – e onde “mergulhou”, nomeclatura usada para os refugiados de Hitler, transformou-se num museu.
E, para mim, sempre tao à flor da pele, foi um dos lugares mais tristes – e emocionantes – que vi na vida.
A Casa de Anne Frank é sombria, conta histórias muito tristes dos dois anos em que viveu “mergulhada” e relata o terror do nazismo, suas atrocidades, injustiças absurdas.
À nossa frente, na fila de entrada para o museu, uma família de judeus. Pai, mãe e quatro filhas pequenas estavam tão angustiados que fiquei eu imaginando como seria a reação deles, ao entrar na casa que, a pedido de Otto Frank, pai de Anne, não tem um único móvel, apenas instalações, videos, dores, nós n’alma. 
"Minha vida está vazia. Quero que essa casa asim permaneça", declarou Otto Franf, certa feita.
O casal e as filhas, vi mais adiante, haviam desistido de proseguir na visitação. A mãe saiu chorando.
E, ali, eu acabei de me acabar. Pouca gente percebeu – mas a cena chocou.
Somente 5.000 judeus sobreviveram a guerra em Amsterdam.
Um dos sobreviventes dessa hiostória foi Otto Frank, pai de Anne, que morreu à mingua, de tifo, em março de 1945, no campo de concentração de Bergen-Belsen.
Otto Frank sobreviveu ao campo de extermínio de Auschwitz e faleceu em 1990, após criar a Fundação Anne Frank.
Que dor...